15 de outubro de 2019

Celebrando a chegada à Lua na Universidade dos Açores

 De entre as muitas iniciativas em curso na Universidade dos Açores, envolvendo docentes e alunos neste começo de ano lectivo, merece destaque o colóquio internacional, realizado na semana passada, comemorativo dos 50 anos da chegada do Homem à Lua. Participaram académicos de vária procedência, incluindo dos Estados Unidos, do Canadá e da Polónia, com intervenções valiosas, das quais não ficaram atrás em qualidade os trabalhos apresentados por diversos investigadores e professores açorianos, ligados à nossa Universidade. A Comissão Organizadora está pois de parabéns, dela se destacando as Professoras Ana Cristina Gil, Presidente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Leonor Sampaio da Silva, Madalena Teixeira da Silva, Maria da Luz Correia e Susana Serpa Silva, todas da mesma Faculdade.
O colóquio teve um conteúdo multi-disciplinar, pondo em evidencia as variadas implicações, incluindo científicas, artísticas e literárias, da grande aventura humana que tem sido a conquista do Espaço. 
A conquista do Espaço foi um sonho de muitas gerações. Numerosos autores a anteciparam, fantasiando a viagem à Lua, desde Júlio Verne a H.G.Wells e, noutro registo Hergé, que também levou até ao satélite da Terra o seu e nosso herói Tintin, com os habituais companheiros de aventuras, incluindo Milou e os impagáveis detectives Dupond e Dupont, estes com o estatuto de passageiros clandestinos, todos viajando a bordo de uma nave construída sob orientação do genial Professor Tournesol.
Na década de 50 do século passado a conquista do Espaço tornou-se um motivo de competição entre as duas maiores potências político-militares da época, os Estados Unidos da América e a União Soviética, cada uma delas liderando um bloco de nações, envolvidas todas nas dinâmicas da Guerra Fria.
Não é possível ignorar que o grande esforço no planeamento e construção de veículos espaciais, destinados ao transporte de armas ofensivas, tinha sido feito pela Alemanha, dominada então pelo regime nazista e em plena II Guerra Mundial. Hitler apostava tudo numa arma secreta, que lhe permitiria aniquilar os adversários e obter o triunfo, mas nisso também fracassou, felizmente… Quando a guerra acabou, com a rendição incondicional da Alemanha, os cientistas envolvidos nessas investigações foram levados, mais ou menos à força, por russos e americanos, para os respectivos países e pertenceu-lhes boa parte da responsabilidade no processo de aperfeiçoamento dos foguetões necessários à exploração espacial.
A Rússia começou por levar a melhor e colocou em órbita o primeiro satélite artificial da Terra ainda nos anos 50, o famoso Sputnik. Foi também um feito russo o primeiro lançamento e recolha de um animal a bordo de um veículo espacial, a cadelinha Laika. E até de um ser humano, o astronauta Yuri Gagarine.
Com a América claramente ficando para trás, foi o Presidente Kennedy a fixar o objectivo de levar uma tripulação à Lua e trazê-la de volta em condições de segurança antes do fim da década de 60. A mobilização de recursos e os sacrifícios feitos foram enormes. Em certa altura, Kennedy tentou mesmo convencer os dirigentes russos a aceitarem organizar a expedição conjuntamente, dando ao Mundo um exemplo de cooperação, que ajudaria a atenuar as tensões e até as ameaças de guerra atómica então pendentes sobre a Humanidade. Na falta de resposta positiva, a NASA levou por diante o Programa Apolo e em 20 de Julho de 1969 os astronautas americanos puseram os pés no solo lunar e deram início a uma era nova no relacionamento do Homem com o Cosmos. Até hoje, só os americanos pisaram a Lua, apesar de várias outras tentativas de alunagem por veículos provenientes de diferentes países. Desde então a exploração do Espaço continua e já foi possível enviar naves a todos os planetas do Sistema Solar, comprovando que não há selenitas, nem marcianos, nem habitantes em Ganimedes, uma das luas de Júpiter, desfazendo neste caso a imaginação do autor das aventuras em banda desenhada do heróico Flash Gordon.
A corrida ao Espaço e o domínio dele levanta complexos problemas, que o Direito Internacional procurou abordar e resolver por antecipação através do Tratado sobre os princípios que regem as actividades dos Estados na exploração e utilização do Espaço Exterior, incluindo a Lua e outros corpos celestes, feito em Londres, Moscovo e Washington, a 27 de Janeiro de 1967. Este tratado foi celebrado sob os auspícios da ONU e recolhendo doutrina contida em declarações anteriormente aprovadas pela respectiva Assembleia Geral. Portugal aderiu a este importante instrumento internacional no seguimento da sua aprovação pelo Decreto-Lei n.º 286/71.
Coube-me apresentar, em intervenção no colóquio em referência, os principais preceitos do tratado, que são os seguintes: a Lua e os outros corpos celestes são domínio da Humanidade no seu conjunto e por isso insusceptíveis de apropriação por qualquer Estado; a exploração da Lua e dos outros corpos celestes deve ser feita em espírito de cooperação internacional, partilhando-se os conhecimentos adquiridos entre todos os interessados; as finalidades de tal exploração devem ser pacíficas, com expressa proibição do uso de armas nucleares ou outras; a instalação de bases militares na Lua e nos outros corpos celestes é igualmente proibida. 
Foi já dentro deste espírito que os primeiros astronautas, tendo embora hasteado a bandeira do seu País, deixaram na Lua uma mensagem lembrando que tinham vindo em paz e em nome de toda a Humanidade. E ainda a partir do solo lunar, observando com deslumbramento o “nascer” da Terra, a todos nos avisaram sobre a pequena dimensão e a fragilidade do nosso belo Planeta Azul.

(Por convicção pessoal, o Autor não respeita 
o assim chamado Acordo Ortográfico.) 
 

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Categorias: Opinião

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