13 de outubro de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Não sendo mulher de me meter em políticas, gosto, porém, de estar informada e, como, tal fui seguindo com atenção o desenrolar da noite eleitoral de Domingo passado… Foi uma noite sobressaltada para o PS, que esteve à espreita até ao último minuto para ver se conseguiria a tão almejada maioria robusta que pediu na pré e depois durante a campanha eleitoral. António Costa sonhava em libertar-se das peias do Bloco de Esquerda e do PCP, e para isso traduzindo a maioria robusta que pedia… facilmente qualquer parolo percebia que ele pedia uma maioria absoluta… Isso não aconteceu e a euforia de Catarina Martins no inicio do longo serão… acabou num discurso tristonho de Costa… lembrando-se certamente dos sapos que teria de engolir no dia seguinte, quando tivesse de ir percorrer as várias capelinhas do chamado “calvário” da Esquerda… Umas já bem conhecidas (BE e CDU) e outras fresquinhas da Silva, como o Livre e PAN… Desta vez vai haver Governo sem papel assinado com os apoiantes… isto é, depois do casamento passado com papel, agora vamos ter uma ajuntamento que durará ao dia, como acontece nos casais que não querem compromissos, preferindo a liberdade todos os dias… Costa aposta num Governo de quatro anos, e lembro-me que Guterres também acreditou na fidelidade do deputado do CDS alcunhado de “Queijo Limiano”, que acabou por perder a validade dois anos depois… Vamos ver o que é que acontece com o laranjal de Rui Rio que não foi tão mau como esperavam e alguns dentro do partido queriam…. E que os 77 deputados com os 106 do PS formam uma maioria qualificada no Parlamento capaz de levar a cabo as reformas estruturantes para Portugal. Essa é uma chave importante para a estabilidade. Assim esses dois partidos queiram e sejam capazes de fazer o que precisa ser feito para bem do sistema… e sobretudo dos cidadãos.
 

Meus Queridos! Tal como prometi na semana passada, depois da missa das onze lá fui cumprir o meu dever de votar na minha cidade norte e na freguesia da Matriz. Depois tive de ir à outra Matriz de Ponta Delgada dar uma boleia à minha prima Josefa, que vai todas as vezes votar numa das mesas instaladas na Câmara Municipal… Desta vez as mesas estavam concentradas num único espaço… e só pena que não houvesse mesas desdobradas para os nomes começados por J e por M, pois apenas uma para o poderio de pessoas que têm nomes começados por aquelas duas letras, fez com houvesse filas enormes e muitos acabaram até por desistir de votar… Não há dúvida nenhuma que o método de votação tem de ser revisto porque a simplificação que se pretendeu fazer… acaba por complicar e falsear o numero dos efectivos votantes… Esperemos que isso mereça uma reforma que introduza a verdade dos números… e evite a existência de eleitores fantasma…


Meus queridos! Esta semana, a minha prima da Rua do Poço estava triste e pior que estragada. Diz ela que com a falta de pilim que vai por aí para os lados do Governo e este sempre tentou disfarçar, escondendo as cativações e cortes nos serviços públicos, a febre de concentração de instalações é uma loucura e pouco escapa. E ela que sempre morou naquela rua não consegue suportar a ideia de estarem a esvaziar a sua Calheta de tudo o que ali foi criado em outros tempos em que se pensava na segurança e comodidade das pessoas. Depois de terem tirado os Correios da Calheta, levando-os para a Junta de Freguesia, ou seja pagando os contribuintes para continuar a ter um serviço que cabia a uma empresa prestar, agora foi a vez de fecharem o pequeno posto de polícia que ali existia, mesmo em frente da Cadeia da Boa Nova. A gente sabe que aquilo era um serviço de armas e explosivos da Polícia, mas dava vida e era um sinal de presença e respeito na zona, que bem precisa… Agora nem isto. Diz a minha prima que dói ver aquele edifício fechado e com um papel colado na porta, a anunciar a mudança de instalações. É que ela ainda está lembrada das diligências que a Câmara teve de fazer para abrir aquele espaço e das lutas políticas na altura… Agora tudo se vai, no meio dum silêncio geral. São sortes!


Ricos! No tempo das comunicações, parece que é cada vez mais difícil comunicar com eficiência. Ainda esta semana, a minha prima Jardelina recebeu dos CTT Expresso um aviso, por mail, de que uma encomenda que tinha mandado vir de Lisboa, ia ser entregue na Quinta-feira, dia 9, entre as 9 e as 19 horas. Como já sofre das cruzes e para não ter de ir para as intermináveis filas da Estação Vasco da Gama, resolveu ficar em casa para receber a encomenda. Esperou todo o dia e nada… A dita cuja só foi entregue no dia seguinte e ainda teve sorte porque tinha acabado de chegar a casa, pois caso contrário iria mesmo ter de ir para a fila dos correios… O que é que custava, no mesmo mail, dizer que afinal só poderiam entregar a encomenda no dia seguinte? Isso é brincar  com a vida das pessoas num tempo que anda toda a gente  numa correria… para apanhar o tempo que voa… quase à velocidade do som…. Mas é o que temos!


Meus queridos! E já que estou a falar dos CTT, aproveito para repetir aqui o pedido que me fez a minha prima da rua do Poço e que os CTT bem podiam satisfazer sem grandes custos. Como deixou de haver estação na Rua Eng. José Cordeiro, por que não instalar nas proximidades de onde eram os velhos correios da Calheta um marco de correio para que as pessoas pudessem lá colocar as suas cartas e o carteiro fizesse a sua recolha quando diariamente lá passa? Ir à Junta de Freguesia, lá para a banda das Laranjeiras, ou ter de ir à baixa para colocar uma carta, é esforço desnecessário e fácil resolver, até porque hoje há os envelopes já com porte que se podem comprar e ter em casa… E há muita gente que ainda precisa de mandar as suas cartinhas, porque isto de correio electrónico ainda não é para todos e aquela é uma zona de população envelhecida. Seria uma boa oferta de Natal dos CTT… Espero que a Câmara do meu querido Presidente Bolieiro tome e conta esta proposta e faça as diligências que são precisas junto dos CTT, e já agora que também se empenham nesse objectivo os novos e fresquinhos deputados eleitos para a Assembleia da República…


Meus queridos! Por vezes vou por aí no meu velho popó, para fazer uma visita a velhas amigas de peito que tenho espalhadas por vários concelhos da Ilha do Arcanjo… e vou apreciando as transformações que se vão fazendo ao longo desta magnífica e invejada ilha de São Miguel. Agora parece que virou moda as casas de madeira, em lugares onde ainda há pouco tempo ninguém imaginaria que se poderia construir. Ainda me lembro dos tempos em que alguns empresários quiseram trazer para cá as casas pré-construídas e viram a vida andar para trás porque nem Governo, nem Câmara concediam qualquer licença, porque ao que diziam, nos Açores e por motivos climatéricos e de ordenamento, tinha de ser respeitado o método tradicional de construção. Agora parece que tudo mudou e cada um constrói como lhe dá na real gana, em madeira, em chapa ondulada e não sei mais quê… Parece que o que é preciso é não impor regras e não fazer ondas…. para se apanhar o voto na altura certa, mas pelos vistos, o laxismo que vai nas instituições é uma praga que faz crescer a abstenção… O que eu nunca entendi foi a razão de para uns e nalguns lugares ser tudo dificuldades… e noutros ser tudo facilidades… esquecendo que, quando os furacões passam, passam para todos!


Ricos! A minha prima Maria da Vila telefonou-me esta semana muito triste porque tinha sido notícia em todo o país que a velha capital de São Miguel tinha batido todos os recordes de abstenção nas eleições de Domingo passado, com mais de 70 por cento dos eleitores a ficar em casa. Maior abstenção foi só na Vila de Rabo de Peixe, o que não admira, pois que em dia da grande Festa da Senhora do Rosário e da sua imponente procissão, não se esperava outra coisa. O que a minha prima Maria da Vila diz é que o número de pessoas que viu saírem de casa para votar não dá aquela abstenção toda. E ela é capaz de apostar que, pegando nos cadernos eleitorais e riscando mortos e ausentes, a abstenção vem para metade ou menos… Haja alguém que faça o estudo, porque essa coisa do simplex, tornou-se foi num compliquex que ninguém faz ideia… E há por aí muito boa gente que gosta de falar muito na abstenção para disfarçar as suas derrotas…


Meus queridos! E já que estou a falar da velha capital, quero mandar um ternurento beijinho para a freguesia de Ponta Garça, que agora vê ressuscitada a sua velha banda de música a “Lira do Sul” que esteve mais ou menos um ano inactiva, mas que devido a um punhado de boas vontades já está a preparar-se para voltar a animar as festas e a dinamizar a cultura na mais populosa freguesia do concelho. Hoje em dia, manter uma filarmónica de pé e com os fracos apoios que lhes são dados, é cada vez mais um acto de heroísmo, mas muito necessárias são elas pelo menos para durante algumas horas serem momentos de cultura capazes de tirar os jovens dos telelés e de outras tentações… assim como também os adultos a quem faltam motivos e pretextos para conviver, aprender e servir. Por isso mesmo, parabéns Ponta Garça, e que saibam bem honrar os pergaminhos da velha e mais que centenária banda, para que continue a haver uma “Lira do Norte” e uma “Lira do Sul”. Há alturas em que faz falta pessoas como o saudoso Padre José Gregório!...

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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