13 de outubro de 2019

Dos Ginetes

Eleições… O problema é sempre o mesmo

Na passada semana tivemos mais uma prova anual que faz parte da nossa vivência Democrática. Digo prova anual porque na realidade somos chamados em tão curtos espaços de tempo a exercer o direito de voto que apesar das aparentes boas intenções dos respectivos protagonistas acaba por ser um pouco saturante. Espero que formado o novo Governo da República “gozem” todos os portugueses por algum tempo de um merecido descanso, que sei desde já não será longo para nós Açorianos, pois muito em breve irão começar os primeiros sinais anunciando que as Regionais estarão à porta. É assim constituído o nosso sistema eleitoral onde os vários partidos distribuem sempre algum encanto aos mais desprevenidos esquecendo em muitos casos as verdadeiras prioridades de um país ou região expostos à vontade soberana de um grupo de indivíduos que em muitos casos desconhecem os verdadeiros problemas que atormentam a população. Alguns nada compreendem porque o contacto com a realidade de quem vive com pouco mais de trezentos euros mensais não existe. Deveriam aproveitar o Natal que se aproxima e a que chamam “festa da família” para umas “visitinhas” que certamente valorizariam a “parte humana” de tão distintos senhores ou senhoras.
Abram os olhos meus amigos, pois ainda são muitos neste sistema que alimenta a ociosidade de quem não quer trabalhar, “fabrica” falsos empregos esquecendo os verdadeiros infelizes.
É por tal que enquanto continuarem a apoiar um “mundo de falsos espertos” não conseguem diminuir nas eleições uma taxa de abstenção vergonhosa, sinal do descrédito em que muitos homens e mulheres da política se colocaram. Uns porque mentiram, outros porque se transformam após as eleições em “senhores” de uma arrogância que cada vez os afasta mais do eleitorado, ou simplesmente por uma desgraçada incompetência.
No passado Domingo aquela que podemos chamar “noite de eleições” deveria fazer reflectir muita gente, sobretudo da política, pois não foi mais que a manifestação do descontentamento da população. Apenas uma senhora, Assunção Cristas, líder do CDS, compreendeu que o seu projecto não mereceu o apoio dos eleitores, preferindo assim, com toda a dignidade anunciar a respectiva demissão. Imagino ter sido uma decisão difícil mas pelo menos teve a coragem e honestidade de admitir que o futuro não se anunciava fácil. Quanto a substitutos certamente não faltarão pois já uns poucos manifestaram as respectivas intenções para ocupar o sempre desejado lugar.
Quanto aos outros Candidatos ouvindo-os falar todos foram vencedores mesmo se em alguns casos o apoio de eleitores diminuiu.
Vergonha as eleições de indivíduos que nada têm a apresentar, sem projectos credíveis mas que a democracia não pode impedir a participação dos mesmos. Apenas são o retracto e a voz de gente que deixou de acreditar nos tradicionais partidos que se alternaram durante as várias décadas e que contribuíram para o estado lamentável da economia do nosso país. Que não se iludem estes pequenos “solitários mas barulhentos” indivíduos que de nada servirão mesmo se corajosamente, tenho de admitir, vão tentar puxar para si algum crédito que nunca lhes será reconhecido pois grande parte do tempo nem conseguirão fazer ouvir a sua voz na Assembleia da República.
É verdade que representam uma pequena parte do eleitorado descontente que para “aliviar” um pouco a consciência decidiu exercer o direito de voto de protesto através destes indivíduos que espero para as próximas Legislativas tenham um pouco de bom senso. 
Há que respeitar a liberdade de todos os cidadãos, mas por favor poupem-nos espectáculos que se aproximam do ridículo. Espero, apesar de pouco acreditar, que tenhamos alguma tranquilidade nos próximos anos vinda dos lados de Lisboa. Que pelo menos aprendam também a respeitar este povo Açoriano que não é apenas uma pequena percentagem insignificante como lhe chamou o líder do maior partido da Oposição. São frases que podem encerrar alguma veracidade mas que se não repetem.
Quanto ao vencedor da noite, o Partido Socialista, mais uma vez se encontra “metido numa geringonça”. Irá mais uma vez governar um pouco dependente da vontade de terceiros. Espero que haja algum entendimento para conseguir manter alguma estabilidade para não continuarmos todos a pagar facturas demasiado elevadas.
É o que queremos como cidadãos de um tão belo país como o nosso mas onde por vezes os homens tornam a vida demasiado complicada ao dar o passo mais longo do que a própria sombra. 
 

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Categorias: Opinião

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