13 de outubro de 2019

Entre o passado e o futuro

Depois da Verdade

 A verdade em política são eleições democráticas e justas. Custa-me reconhecer outra, embora possa haver.
Contados os votos, todos os concorrentes, sem reservas, lamentam compungidamente as abstenções as quais excedem 45%. No fundo, bem se podem lamentar de si próprios. Trata-se de “furúnculo” que afeta a democracia e que tende a crescer. A este propósito, Le Figaro, na sua edição da passada quinta-feira, no topo da sua 1ª página, expressa fundada preocupação. Um estudo elaborado para aquele jornal, com a classificação de exclusividade, realizado em França, revela que 3 em cada 4 franceses declaram que votarão “antissistema”, nas próximas eleições, lá para 2022. 
Enxugadas as lágrimas que a abstenção, os votos brancos e os nulos – votação antissistema –as fizeram correr, os partidos concorrentes, a exemplo do passado, dividem-se em dois grupos e dedicam-se à exploração do sucesso que cabe aos vencedores e à amenização do insucesso que incumbe aos derrotados. No pós-eleições não agigantar uma vitória tal como confessar publicamente uma derrota não é politicamente correto. Porém, o politicamente correto, no caso concreto gera perigo a formação de antrazes políticos.
Concomitantemente, por cima umas das outras, surgem as explicações para os resultados que o passado relacionado oferece aos analistas e comentadores, e as visões do futuro que o novo presente proporciona aos vates. Pratos para todos os gostos e opções. Naquele dia, vincar as diferenças entre os concorrentes, identificar as contradições e em consonância aprofundar o conveniente significado do voto é mister.
Quando o dia renasce, e a razão emala a emoção, fazem-se as contas certas, perfilam-se os novos e novas protagonistas, escolhem-se os parceiros políticos, invetivam-se adversários, prepara-se taticamente o futuro imediato. 
A verdade democrática, é que os eleitores votaram livremente nos partidos que quiseram: vetustos, neófitos, franchisados, originários, ditos da esquerda ou da direita, do centro e dos extremos. 
Com os votos apurados e resultados certificados na minha frente, sem preconceitos nem afeiçoados, o que leio no publicado sobre as eleições nacionais do passado domingo é o seguinte: votaram 5.092.424 eleitores; dois partidos (PS e PSD) obtiveram 3.286.960 da totalidade o que representa em percentagem mais do que 60% dos votos expressos, os quais convertidos em mandatos representam estes, para o mais votado 106 e para o menos 77. A soma dos deputados eleitos de ambos corresponde, para já porquanto ainda faltam apurar 4, a uma maioria qualificada dos deputados da Assembleia da República.
Quer queiram quer não, os portugueses que exerceram o seu direito de voto no passado domingo disseram inequivocamente o que desejavam sobre as grandes opções estratégicas, ou sobre os destinos da Nação garantir nos próximos quatro anos. Devem ser aquelas duas formações partidárias a estabelecer as grandes linhas de orientação nacional e as grandes opções. É neste domínio que reside a estabilidade e o futuro próximo do País: na sua credibilidade externa, no equilíbrio das suas contas públicas, na sua política internacional de reforço de alianças, fundamental no presente ambiente de enorme perturbação.
A instabilidade de que é costume ouvir falar reside fora daquela maioria parlamentar, e configura meros “casos de política”, ações e manifestações de rua, boicote aos exames, bloqueio de estradas, paralisação de transportes, a crispação social provocada… O PS interpreta bem a vontade do eleitorado quando evita a celebração de acordos por escrito com os restantes partidos. Com uns tratará das políticas de rendimento e de direitos individuais, mas precisará do PSD para as grandes questões nacionais. Não celebrou alianças antes das eleições não as devem celebrar agora. O eleitorado que não lhe proporcionou a maioria absoluta não o obrigou a casar politicamente.  
 

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Categorias: Opinião

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