Joaquim Ponte, ex-dirigente do PSD/Açores

“Se eu fosse o Gaudêncio já me tinha ido embora”

O próximo Conselho Regional do PSD/Açores poderá levar à marcação de eleições directas para eleger o novo líder do partido e à marcação de um Congresso. O Correio dos Açores procurou ouvir vários ex-dirigentes do partido, entre ex-líderes, presidentes da Assembleia Legislativa Regional e Presidente do Governo social-democrata. Alguns não atenderem as chamadas, outros não se quiseram pronunciar publicamente, deixaram, nas entrelinhas, duras críticas à actual liderança do PSD/Açores e alguns deram mesmo a cara.
Manuel Arruda, quando inquirido sobre que análise fazia à actual liderança do PSD/A, respondeu com poucas palavras: “A situação é de tal modo má que quanto menos se falar sobre ela melhor”.

Reis Leite: “Nem PSD nem PS estão em
condições de cantar de galo...”

José Guilherme Reis Leite assumiu que a sua ida ao Conselho Regional “depende das datas, das horas e da disposição”
 Questionado sobre os resultados eleitorais alcançados pelo PSD/A, Reis Leite afirmou que o grande problema é que o PSD perde 8 mil votos ou coisa que o valha e o PS perde 5 mil. De forma que nenhum está em condições de cantar de galo. Era bom que tivessem juízo na cabeça para ver se não deixam de ser os condutores da Autonomia dos Açores”.
E perante o facto do PSD/A perder 16 mil votos em dois actos eleitorais, responde com um “pois, é verdade e o PS para lá caminha, se não se põe a pau”. 
Perante a insistência do jornalista sobre se o actual líder do PSD/A tem condições para continuar, Reis Leite respondeu que “ele já disse e muito bem que este assunto é para se falar nos órgãos próprios do PSD/A e daí tirará as suas conclusões”.
 João Bernardo Rodrigues, por sua vez, começou por considerar que o actual PSD “é um saco onde ninguém se entende” e sublinhou que  “Gaudêncio não tem condições para ser o líder do PSD/Açores. Logo que foi constituído arguido, devia ter-te demitido porque deixou de ter condições para continuar”.
No entender de João Bernardo Rodrigues, “o que se pretende de um líder do PSD/A é que conquiste o poder e não que esteja em disputas pelo poder”.
 Quem acedeu a dar uma opinião mais desenvolvida sobre a actual situação da liderança do PSD/Açores foi Joaquim Ponte que, tal como Reis Leite, não vai ao Conselho Regional se realizar-se numa Sexta-feira. Joaquim Ponte é, actualmente, Vice-presidente da Mesa do Congresso Nacional do PSD e antigo Presidente da JSD. Não podia ser mais claro na entrevista que deu ao Correio dos Açores.

Joaquim Ponte: “Marcar o Conselho para 
Sexta-feira cheira a golpadazita...”

Qual a sua opinião sobre a situação no PSD/Açores?
Joaquim Ponte – Temos duas derrotas consecutivas de grande dimensão e o partido tem que pensar nisso. 
Nas últimas duas eleições em relação às eleições de há quatro anos, pelas contas que fiz à distância perdemos 8 mil votos. Já tínhamos perdido 8 mil nas anteriores. Em 8 anos perdemos 16 mil votos. Isto é assustador.

O eleitorado social-democrata cada vez menos se identifica com este PSD/A?...
Parece-me óbvio. As pessoas não estão a ver no PSD a solução alternativa para governar os Açores. Isto parece-me evidente.

Está a insinuar que o PSD/A deve ter um outro líder?
A liderança é importante e, ao cabo de duas derrotas seguidas com a dimensão que esta teve, eu penso que deveria ser o actual líder a pôr esta questão. 
No meu tempo, no tempo em que o PSD/A ganhava eleições, há anos atrás, não nos passava pela cabeça que, após duas derrotas seguidas desta dimensão, o líder não questionasse a sua permanência.  Isso parece-me evidente, não? 
Parece-me completamente espantoso que esta questão não se coloque, mas é evidente que isto depende da própria pessoa. Ainda por cima, quando se acumulam situações colaterais que não são favoráveis a uma boa liderança. 
E até acho que, na defesa da pessoa, do actual líder, Gaudêncio, ele devia preservar-se nesta situação. E a preservação dele, a sua própria defesa passa, parece-me a mim, por haver alguma descrição. Não se expor desta maneira ainda por cima depois de duas derrotas que são significativas que poderão levar a que, naturalmente, quem não concorde com a liderança, ou quem ache que o PSD deve tomar outro caminho, enfim, possa explorar todas as situações mesmo aquelas que não são políticas.
E entendo, por isso, que na sua própria defesa, na sua própria protecção, devia ponderar a sua manutenção ou não na liderança do partido. Isto não tem que ver que o PSD não precise de pessoas como o Alexandre Gaudêncio. O PSD precisa de toda a gente mas é preciso saber também, em cada momento, ter a noção de quem é que está em melhores condições para servir o partido porque eu parto do principio de que as pessoas que desempenham estas funções estão preocupadas com o melhor desempenho da nossa sociedade, dos açorianos. Depois, com um bom desempenho do partido. E não estarem aqui a sobrevalorizar questões de natureza pessoal ou de pequenos grupos, Parte-se do princípio de que todos pensam assim.

Está a dizer que Gaudêncio devia demitir-se?
Nós temos um quadro que é objectivo. São duas derrotas muito expressivas seguidas. Acho que nunca houve derrotas tão expressivas nos Açores e temos uma situação objectiva de alguma fragilidade da liderança. Numa circunstância destas, o que eu posso dizer é que se eu estivesse no lugar do Alexandre Gaudêncio, já me tinha ido embora, mas ele é que sabe da sua vida, não sou eu.

O facto de o Conselho Regional se realizar  numa sexta-feira, eventualmente, tem significado para si?
Isso parece-me de uma infelicidade tremenda, mas espero que corrigem esta situação, não por ser na Terceira, mas por ser numa sexta-feira quando as pessoas têm dificuldade em chegar à reunião. Isto em política, o que parece, é e estas coisas, por vezes, feitas desta maneira, cheiram a uma golpadazita, a uma habilidade para que as pessoas não possam participar no Conselho Regional. Mesmo que não tenha sido esta a intenção, ao fazerem coisas destas, estão a passar a impressão que isso pode estar a acontecer.                                 

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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