12 de outubro de 2019

Algumas reflexões pós eleitorais

Em primeiro lugar começo esta reflexão crítica manifestando o meu pesar pelo desaparecimento físico do Professor Doutor Freitas do Amaral que conheci pessoalmente quando fui deputado na Assembleia da Republica.
A vida dele foi fecunda e larga e tanto basta para que supremo tribunal da morte o tenha consagrado para a posteridade como um grande vulto de Portugal.
Depois desta introdução moral e civicamente obrigatória passo a alinhavar algumas ideias que me acudiram ao espícito depois das últimas eleições legislativas.
Constitui um lugar comum afirmar-se que o Estado é financiado pelos cidadãos.
A fonte principal de financiamento do Estado são os impostos diretos e indiretos.
O Governo liderado por António Costa teve a habilidade política de aumentar a carga fiscal que incide sobre os cidadãos aumentando os impostos indiretos e não aumentando substancialmente o impostos diretos que são aqueles (IRS e IVA) que são mais sentidos no bolso do cidadão.
Mas quem é que paga impostos em Portugal?
Quem é que paga os salários aos funcionários e os restantes subsídios ? Quem paga é a classe media.
Porque é a única que não tem qualquer hipótese de fugir aos impostos porque se pudesse fugir fugia também.
Os muito ricos não pagam porque fogem para os países fiscais; os muito pobres não pagam porque não tem forma de pagar (não têm nada em seu nome, não trabalham etc.)
A classe média é formada por privados e públicos.
Os públicos têm uma clara vantagem sobre os privados; primeiro têm emprego blindado para toda a vida (a não ser que façam asneira da grossa), salário certo no fim do mês,
subsídios de Natal e de ferias, 13.º mês, pensão de reforma assegurada (pelo menos durante mais 30 anos segundo o governo de Costa), e não correm o risco de ir á falência nem de serem despedidos pelo patrão (a não ser em casos muito excepcionais).
O P.S. de António Costa ganhou as últimas eleições legislativas pelos seguintes motivos de fundou.
Acabou com os cortes na função público repondo na íntegra salários e pensões.
Ao aumentar dessa maneira o rendimento das famílias repôs o nível de consumo a que se tinham habito.
Ora e sabido que o aumento do rendimento leva ao aumento do nível de consumo estimulando a economia; as pessoas tendo mais dinheiro no bolso sentem-se mais satisfeitas com a vida e consomem mais.
Havendo mais consumo aprece mais gente a investira porque sabe que o produto que vende tem saída no mercado havendo mais iniciativa há mais emprego; são precisas pessoas para vender e processar os produtos logo o nível de desemprego baixa.
Era muito difícil fazer melhora do que António Costa fez.
Mas há um setor que tem que melhorar (dando de barato os outros que precisam de melhoras rápidas que é o sector da saúde.
O serviço nacional de saúde é a menina dos olhos do Partido socialista (foi o meu brilhante e falecido colega António Arnaut que o ciou sob a égide do partido Socialista liderado por Mario Soares) mas não tem tido a atenção que merece e que os portugueses precisam e merecem.
Faltam médicos enfermeiros e uma serie de outras coisas que seria deveras fastidioso estar aqui a enumerar.
Isto aqui é uma questão de coragem politica.
O facto de Cuba ter criado em pleno bloqueio económico norte-americano, um dos melhores sistemas de saúde do mundo prova que um bom serviço nacional de saúde não depende da economia ou depende em grau muito menor do que aquele que para ai se apregoa.
Como se disse e preciso e coragem politica para concentrar os recursos necessários na saúde e cortar (aí sim) em outros serviços que sendo importantes não são todavia tão importantes como o sector da Saúde.
Com a saúde não se brinca e com tal há que concentrar todos os recursos necessários nessa área porque a saúde não tem preço e se uma vida humana isolada no contexto universal não vale nada, nada vale o sacrifício de uma única vida humana.
Portanto no essencial (com excepção do serviço nacional de Saúde) o governo de António Costa esteve bem e por isso ganhou merecidamente as eleições.
O PSD com Rio ou sem Rio estava de antemão condenado a ir por água abaixo.
O PSD tem um defeito constitucional grave a saber: não sabe estar na oposição não sabe fazer oposição independentemente do líder que tenha; não tem cultura de oposição ao contrário do que acontece com o P.S. e PCP. que são mestres na arte de fazer oposição sistemática aos governos de direita ou de centro direita.
Há na esquerda portugesa um sentido de solidariedade “inter pares” que não existe na direita ou no centro direita que são por natureza forças politicas mais marcadas pelo individualismo e egoísmo social.
Mas nada se consegue na vida por mais que se trabalhe sem uma pontinha de sorte; no futebol fala-se na estrelinha de campeão e muito acertadamente; é preciso a estrelinha nos momentos cruciais do jogo da vida e da vida do jogo, sem isso nada Feito.
Costa teve a estrelinha que faltou a Passos Coelho; consegui ser primeiro ministro com a ajuda da esquerda unida e Passos chegou a primeiro ministro sem ser empossado nessa qualidade vendo em seu lugar António Costa.
A política é muitas vezes desigual e injusta assim como a vida.
Não e fácil porque na vida como na politica é impossível agradar a toda a gente; os 4 interesses são diferentes e frequentemente conflituais; por isso se impõe uma certa ética que norteie os governos; é preciso governar para as pessoas especialmente para aquelas que mais sofrem e que são também quase sempre aquelas que não têm voz nem capacidade para pressionar os governos em seu benefício.
O PSD Açores, depois da saída do dr. João Bosco Mota Amaral, nunca mais ganhou eleições legislativas e Regionais na Região.
As razões desse fenómeno são claras:
Primeiro, nunca mais teve um líder que chegasse sequer aos calcanhares de Mota Amaral.
Segundo o país todo virou à esquerda, como se tem visto nas sucessivas eleições. 
E não vai ser fácil inverter a situação. 
O povo vota de acordo com o dinheiro que tem na algibeira.
Se o PS de António Costa tem pouco a ver com o PSD de Passos Coelho ainda tinha menos.
A ideologia hoje em dia conta pouco ou nada no momento de colocar o voto na urna.
Estou convencido de que o próprio Presidente da República terá votado no PS de António Costa.
Acima de tudo porque houve coabitação tranquila entre o PS de Costa e o Presidente da República, com alguns reparos aqui e ali, a política de Costa, pois percebeu, como águia que é, que o povo está a gostar da receita da geringonça
O povo sentiu alívios e quando assim é não se muda a medicação.
 
 

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Categorias: Opinião

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