29 de setembro de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Eu sou mulher que não me costumo meter com coisas que são da justiça, mas não posso calar-me quando vem a público que quatro juízes foram avisados de que se preparava um roubo d’ armas em larga escala, embora não indicassem quem seria o quartel contemplado com tão “bondosa” visita. Do Algarve a Lisboa, passando pelo Porto, o juiz de cada comarca, declarou-se incompetente para analisar a participação… que pelos vistos acabou no arquivo morto e sem sequer mandar comunicar aos vários quartéis militares que reforçassem a segurança aos paióis e montassem uma operação de investigação e caça aos putativos assaltantes… Ou seja, o roubo foi anunciado por um “anjo” e todos ficaram incrédulos por tão místico anúncio, mas como estamos num período de agnosticismo… ninguém levou a mal e o anúncio tornou-se realidade… Deu-se o roubo e os ladrões tiveram o tempo que quiseram para transportar em carrinhos de cantoneiros… vejam só… as armas e os seus apetrechos, destinados a entrarem no mercado onde campeia o crime do terrorismo e da droga… Isto é, o roubo aconteceu por incúria primeiro dos Juízes, e pasme-se… nem o Conselho Superior da Magistratura disse até agora nada… e a acusação deixa de parte culpados indirectos, por omissão... Além disso, é lançada mais uma acha para a fogueira que aquece a justiça, desta feita com os Magistrados do Ministério Público que instruíram o processo Marquês,.. (em que o Marquês da fábula… é como se sabe o antigo Primeiro-ministro José Sócrates), … a fazerem queixa do Juiz de instrução criminal Ivo Rosa ao Tribunal da Relação, alegando demora no envio dos recursos do MP para o Tribunal da Relação, tal como foram requeridos, alegando que tais atrasos fazem com que o juiz Ivo Rosa esteja a minar o processo da Operação Marquês…. Não sei quem tem razão neste tira puxa… mas o que me parece é que, sejam quais forem as razões, o que se retira apenas destes dois casos, é que a Justiça está inquinada, com erros de omissão no caso do roubo das armas de Tancos, e com disputas de poder dentro da própria instituição da justiça, como é agora com o processo Marquês que começou com o alevanto aquando da sua distribuição feita por via electrónica … e que não calhou ao Juiz Alexandre, como era desejo de muita gente incluindo a Comunicação Social… Tudo isso dá que pensar… São sinais negros dos tempos milenares!


Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço ficou pior que uma barata quando leu no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que vai ser construído mais um volumoso imóvel, mesmo ao lado do Hotel Azor, onde existe um parque de estacionamento, quando ela sempre pensou e julgou que o dito cujo ia nascer entre a segunda e terceira travessas da Calheta para limpar toda aquela zona que está pejada de casas estavam e tempo vazias e destinadas a ser transformadas num hotel e entretanto foram sendo ocupadas clandestinamente…como toda a gente sabe. Anda toda a Calheta de cabelos em pé porque ninguém consegue um lugar para parar o seu popó e os moradores da Avenida D. João III e outras ruas circundantes sem saber como fazer para ali continuar a viver…, ainda por cima vão acabar com o único parque gratuito sem pensar nas consequências. A minha prima da Rua do Poço quando soube da notícia telefonou-me a perguntar se a Câmara de Ponta Delgada tem um Plano de pormenor para aquela zona litoral de Ponta Delgada, porque aquilo está sem rei nem roque… onde toda a gente constrói no velho quintal o que lhe dá na cabeça e sem respeito pelas características urbanísticas que devem marcar cada período de uma cidade… É vergonhoso o que se passa nas traseiras das casa que dão para a Avenida do Mar que vai até São Roque… Não há Serviços de Urbanismo e Ambiente na Câmara Municipal? O que é que andam a fazer? Pergunta indignada a minha prima da rua do Poço, mas quanto a isso nada sei dizer e ela acrescenta que a Calheta precisa de ir à bruxa, porque aquilo está tudo enguiçado. Desde o mamarracho que não há maneira de vir abaixo até outras coisas que a minha prima sabe, mas não me quis dizer, porque não esteve na última reunião da Assembleia de Freguesia… Valha-me São Pedro!

Ricos! A gente nunca sabe o dia de amanhã, mas como diziam os nossos antigos, não vale a pena sofrer de véspera. Desde há não sei quantos dias, multiplicaram-se para aí nas redes sociais, segundo diz a minha sobrinha-neta, dezenas de meteorologistas de última hora a meter medo e alarmar as pessoas com a possível passagem do furacão Lorenzo, com o dito cujo ainda a milhares de quilómetros. Muito bem tem estado os Serviços da Meteorologia, emitindo um comunicado por dia e a Protecção Civil, reunindo e tomando medidas de prevenção, mas sem alarmismos, antes de se poder prever concretamente o que pode acontecer. Já com os meus anos todos, não me posso esquecer que quase todos os furacões e tempestades que se esperavam mais feios e fortes, foram aqueles que menos mal fizeram. E as grandes catástrofes dos Açores, desde a Ribeira Quente àquelas que trouxeram navios da doca para a Avenida, ou as grandes enxurradas na Terceira e em São Jorge, foram sempre fruto de temporais imprevistos e não avisados. Portanto, o melhor meio é ser calmo e seguir aquilo que vai sendo dito por quem sabe. De resto, cada um dá ouvidos ao que quer…

Meus queridos! Para quem diz que não há polícias para fazer rondas e andar pela cidade e pelas freguesias, só gostava que estivessem um  dia desta semana para os lados do centro da cidade de Ponta Delgada há dois ou três dias… Quando fui ver a minha sobrinha-neta na marcha pelo coração, fiquei banzada com tanto polícia, uns fardados e outros à civil, debaixo dos arcos, mesmo ali onde é a PJ… E só depois é que soube que tinham sido todos mobilizados para acartar mobília e papéis do Comando que está a mudar-se de armas e bagagens para as novas instalações. Não é que carregar umas mobílias fique mal seja a quem for, mas tenho a certeza que os polícias-carregadores teriam preferido que houvesse pilim para contratar uma empresa de mudanças para fazer o servicinho. É que havia lá alguns com cara de quem comeu e não gostou. Ossos do ofício, mas que prefiro vê-los fardados e perfilados a fazer rondas, lá isso prefiro!

Ricos! Tal como prometi, não quero falar muito de política durante estas duas semanas de campanha eleitoral que por cá tem andado mais morna que água de lavar os pés, ressalvando o rol de promessas que a minha prima Jardelina está a registar e que já vai na terceira folha, para depois ir pedindo contas pelo seu cumprimento, já que ela não vê saco de onde possa sair tanto pilim. Mas lá para os lados do rectângulo, o que está a dar é Tancos e papagaios-mor que pareceu um tiro no porta-aviões da campanha. Talvez por isso mesmo tenha passado em branco a notícia de que o inefável alcaide de Lisboa, Medina de seu nome, tenha inaugurado, com direito a placa e tudo, lá para os lados de Alvalade, uma escola que existe desde 1955… Veio depois a desculpa que foi um erro e que era apenas uma obra de requalificação. Mas também se foram a pôr placas de cada vez que se pinta ou retelha uma escola, a gente não ganha para placas…

Ricos! Desde que o sempre atento e frontal director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio escreveu há 15 dias um acutilante editorial sobre os fundamentalismos que rodeiam esta coisa do Ambiente, tenho estado atenta aos grandes desenvolvimentos, principalmente com o que se tem pensado com a miúda activista da Suécia e a cobertura que lhe foi dada por uma indústria informativa que está a alinhar por grandes lóbis cujo tamanho a gente nem consegue medir. Por mim, a pequena pode falar o que quiser e com os apoios de quem quiser e tenha pilim para pagar. Mas fico pior que estragada quando vejo milhares de manifestantes pelo ambiente, a deixar atrás de si um rasto de lixo, de plásticos e de tudo, e ainda por cima usando materiais não recicláveis para os seus cartazes que depois deixam às montanhas para o pessoal do lixo recolher. E que dizer por cá de quem, manifestando-se pelo ambiente anda a riscar paredes e estátuas? Por isso mesmo arredo para longe tudo o que é fanatismo e exagero. Passa fora. Pior, só ser do PAN a berrar contra a morte de animais e andar com caríssimos sapatos de pele e cintos de couro… São coisas!

Meus Queridos! Depois de ter na semana passada questionado a minha querida Directora das Florestas sobre a a demora que estava a levar a análise feita a um coelho que apareceu morto na Lagoa, de modo a saber se se tratava de mais um período de febre hemorrágica, ficamos a saber pela imprensa que afinal não tinha sido pedida nenhuma análise porque apenas tinha aparecido um ou dois coelhos mortos… A minha prima Ernestina ficou muito satisfeita, porque o filho já podia caçar, apesar de ter passado por  um período de jejum que podia ter sido evitado ….Cá por mim também estou contente porque o Caçador Mor cá do burgo, o meu querido banqueiro Gualter Furtado já pode exercitar os seus perdigueiros para uma boa caçada de coelhos…. 

Ricos! Quero mandar daqui um ternurento beijinho para o Comendador Duarte Miranda que lá para os lados do Quebec, em terras do Canadá, tem desenvolvido uma intensa campanha, pela valorização da Língua Portuguesa e pela genuinidade dos sotaques de cada ilha e ao mesmo tempo tem lutado contra a irresponsabilidade de quem se atreve a usar e abusar de “copy paste”, plagiando textos e publicando-os como seus…. Quando têm autor… Claro que em todos os lados e também nas comunidades emigrantes, “quem diz a verdade não janta cá hoje”, mas o antigo vice-presidente do Royal Bank do Canadá não se intimida e tudo tem feito para aumentar o nível cultural, cívico e participativo da comunidade.

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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