20 de setembro de 2019

O lugar de alguns padres dispensados pela Igreja

Muito se fala e se escreve sobre caminhada sinodal rumo a uma melhor consciencialização dos direitos e deveres dos leigos na Igreja, o seu papel no funcionamento de várias obras de apostolado e de uma Igreja que procura sair de um modelo piramidal para uma dinâmica circular de comunhão e co-responsabilidade.
Nesta breve e modesta reflexão, e partindo da minha experiência pessoal, procurarei focar o pensamento no lugar dos leigos com especial formação teológica e dos padres dispensados do exercício do ministério cuja opção familiar implique um casamento civil porque o anterior da esposa não foi declarado nulo.
Os padres dispensados não são propriamente leigos visto que um dia receberam o sacramento da Ordem que imprime carácter e jamais se pode apagar mesmo que, por Rescrito de Dispensa, estejam impedidos de exercer o ministério.
Tendo constituído família, com formação teológica e cultural superior e algum talento ao nível da música sacra e litúrgica é muito estranho que o Bispo diocesano negue a alguns destes padres dispensados a possibilidade de fazer algo de “visível” na Igreja apenas porque houve um desentendimento com um CE de uma escola que não foi apurado ou não conseguiram declaração de nulidade do anterior casamento da esposa com quem estão legalmente casados e já com duas filhas menores dessa união.
Como é que os filhos destes padres dispensados podem sentir-se acolhidos na Igreja quando só se fala mal dos seus pais, das suas capacidades intelectuais e não se quer respeitar os talentos e as capacidades que objectivamente têm? 
Deixo aqui este testemunho que partilho com o leitor pois muito se fala em caminho sinodal sem nada ser feito para com as muitas exclusões que ainda existem dentro da Igreja açoriana mesmo com alguns dos seus fiéis com particular formação teológica e cultural vivida com profunda humildade pois basta olhar para o seu testemunho de vida e dedicação à Família para o reconhecer.

Francisco José da Silva Monteiro

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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