20 de setembro de 2019

Regionais na Madeira e debates por aí

No próximo domingo, a Região Autónoma da Madeira terá eleições legislativas regionais, que irão escolher os 47 deputados regionais, que por sua vez darão suporte ao governo insular. Este escrutínio está a ser seguido com especial atenção, principalmente por duas razões: a proximidade em relação às legislativas nacionais de 6 de outubro, por um lado, e as reais possibilidades de não ser o Partido Social-Democrata a levar o escrutínio de vencida, por outro. A mais recente sondagem diz precisamente isso. 
O Jornal da Madeira trazia no dia 18 de setembro, um estudo de opinião que dava a vitória em mandatos e percentagem aos sociais-democratas (39% e 21 deputados), o que representaria a primeira maioria relativa da força política que sempre governou o arquipélago. E nestas condições, aparecendo Paulo Cafôfo em segundo lugar (com 33.1% e 17 mandatos, triplicando o último resultado), bastar-lhe-á negociar com os restantes partidos um acordo parlamentar que lhe permita aprovar os orçamentos regionais e, com isso, governar para quatro anos. 
O CDS, que nesta sondagem aparece com 9.3% e a possibilidade de eleger 5 representantes, deixando de ser a segunda força política na região e passando a terceira, poderá vender caro o seu apoio a quem vencer ou a quem ficar em segundo, mas que consiga a estabilidade necessária para governar. Ainda assim, depois de Assunção Cristas ter frisado, recentemente, a «autonomia do CDS-M», não será de estranhar o aparecimento de um executivo socialista/centrista. Tudo dependerá da «correlação de forças» que se formará no hemiciclo madeirense.
Do meu ponto de vista, dependerá mais de questiúnculas e proximidades pessoais e políticas a formação de governo na região, e menos de grandes princípios ou outras estratégias partidárias para o futuro. Veja-se o exemplo do executivo que apresentei no parágrafo anterior. No executivo nacional, neste momento, seria impossível de considerar. Na Madeira, poderá bem ser possível, se as dinâmicas regionais assim o entenderem. 
Aos debates a dois seguiram-se os debates a seis. Uma nota que a generalidade dos analistas tem referido, prende-se com a elevação reconhecida a todos as disputas. Longe vão os tempos histriónicos nos quais vencia o candidato que falava mais alto, numa digladiação com poucos argumentos, sem quaisquer números que representassem o custo das propostas, e com a constituição de equipas de falange em que se esperava que o seu candidato vencesse colocando o opositor fora de combate. Tem havido muito menos exaltação, mas muito mais ideias, mais argumentos e mais contas feitas. 
A qualidade dos debates cresceu bastante, sem espalhafato, sem feridos e com pouca conversa de circunstância. Terá a ver com a maturidade da nossa democracia e dos seus protagonistas ou será apenas uma anestesia geral lançada por António Costa? Ou um pouco de ambas? Uma coisa parece certa: a marcação de eleições antecipadas em Espanha vem dar mais um empurrão à estratégia do atual primeiro-ministro. Vejamos se a Madeira dará outro. 
 

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Categorias: Opinião

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