1 de setembro de 2019

Dos Ginetes

Pensamentos da semana

Muito em breve estaremos mergulhados em mais uma Campanha Eleitoral.
Penso que por cá o interesse da nossa gente será mais uma vez marcado por uma vergonhosa abstenção que deveria motivar no “bom sentido” os homens e mulheres que escolheram dedicar a sua vida a uma profissão “que não é uma” mas que infelizmente parece uma herança que se transmite entre várias gerações da família incluindo alguns amigos. Infelizmente a forma mais fácil que a nossa gente encontrou para manifestar o seu desagrado é ficar em casa em dia de eleições. Não o aconselho a quem quer que seja mas compreendo-o como vítima de situações que me fazem também perder um pouco a paciência face às várias injustiças que os meus olhos descobrem livremente. Promessas nunca faltarão, e boas, mas como diz o nosso povo, destas também o “inferno está cheio”. Vai triunfando a hipocrisia aliada a um tráfego de influências descarado pois todos sabemos muito bem que em tal matéria somos dos “melhores no mundo”.
É igualmente por isso que assistimos a este folclore político com os eternos servidores à espera da sua pequena ou grande oportunidade.
Uns terão alguma sorte outras apenas servirão de figurantes para as várias fotografias que irão roubar algum espaço às nossas caixas de correio.
De problemas reais pouco ou nada se dirá, mas mesmo que sejam alguns abordados milagrosamente por uns dias encontrarão uma solução fictícia pois que passado o período da grande prova que o povo deveria em massa sentenciada com o seu voto consciente, sem olhar a cores partidárias, tudo regressará às origens ou mesmo até pior.
Temos um sistema eleitoral que não favorece os verdadeiros políticos, pois também temos gente honesta e competente, mas tudo está na mão do “chefe” que é quem decide o “lugarzinho” na lista, e assim do mesmo modo da possibilidade de ser ou não eleito. No final nem sabemos quem representa quem pois o contacto com as gentes se durante a campanha é muitas vezes controlado, terminada a mesma simplesmente não existe. Evidentemente que há uma excepção nas Autárquicas em que normalmente toda a gente se conhece mas aqui também as diferentes cores partidárias das várias instituições acabam por derrubar a vontade expressa pelo povo numa dimensão mais pequena mas que igualmente alimenta muitas ilusões.
É verdade que Portugal é um País pequeno e que as nossas Ilhas dos Açores igualmente devido à sua pequenez só agora começaram a ser conhecidas por gente que nem sabia que existíamos. Se antes nos lamentávamos do esquecimento a que estávamos condenados agora estamos quase a pedir aos Céus que venham visitar-nos tranquilamente pois estão em vias de destruir o que possuíamos de mais sagrado que era a nossa tranquilidade aliada à incomparável beleza natural. É evidente que sinto orgulho pela minha terra e quero mostrá-la ao mundo mas também gostaria que a minha gente, sobretudo os jovens que vejo crescer, enquanto o meu tempo vai terminando, retirassem benefícios para usufruírem de um futuro mais risonho. Queremos um turismo organizado do qual também possamos economicamente beneficiar e não apenas um pequeno grupo que se importa do que temos e não da forma como vivemos.
Enquanto tudo se passa com a maior naturalidade porque somos os eternos bonzinhos o desemprego continua pois o que estamos a assistir no momento são a pequenas artimanhas que não facilitam a vida aos nossos jovens colocados ocasionalmente no mercado do trabalho por períodos muito curtos, em parte pagos pelo Estado onde os patrões acabam igualmente por receber a sua parte. Estou convencido que estão a preparar para as próximas gerações já um fim de vida complicado onde podemos prever desde já reformas miseráveis. Será um pesadelo que continuará a abalar os cofres do Estado, excepto se o mesmo decidir cortar nas suas exageradas despesas ou nos salários e benefícios que fazem inveja ao pobre cidadão que após tantos anos de trabalho árduo acaba por ficar de “mãos vazias”. É este o país que estamos a alimentar para deixar como herança aos jovens deste tempo.
Não vale a pena sonhar pois enquanto vivermos desta forma não vamos longe.
Remédio para tal situação existe?
Existe sim senhor… 
“Só com uma grande vassourada”, mas para tal não há coragem.
 

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Categorias: Opinião

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