13 de agosto de 2019

Do meu olhar

Respingos de Verão

 1.  Num destes dias de Agosto passei na Rua Monsenhor Baptista Ferreira, lá para os lados da Calheta , rés-vés  com as Laranjeiras e deparei-me com um cenário quase de ficção e que nos chama a atenção por duas razões óbvias: as ruínas de uma casa alta, com estilo de um século ou mais , em estado de perfeita degradação e perigo iminente e que , ao que fui informado , pertence ao Estado Português, mais precisamente à Marinha ! Situada  nas proximidades  de residências é uma lastimável mancha que oferece vários perigos , que agora me dispenso de enumerar, e oferece um desolador panorama naquela zona da cidade e, pior que tudo isso, pertence ao Estado, ao mesmo que quer saber da vida dos contribuintes, que os vigia e até pretendia saber como decorriam os casamentos dos jovens, que manda multar por tudo e por nada , que penhora e que apreende com relativa facilidade. O mesmo que já deveria ter sido notificado para demolir aquele edifício em perigosas ruínas , que até oferece perigo para a segurança e para a saúde dos cidadãos ! Neste sentido , que faz a entidade chamada  Autoridade Sanitária ? Que diligências tem encetado a Câmara de Ponta Delgada ?
>>>>>> Pode que a Marinha esteja à espera de Orçamento ou então autorização do Terreiro do Paço para a demolir, porque se trata de  património do Estado Português, sendo que a esperança poderá estar no Orçamento do próximo ano de 2020 , que prevê centenas de milhões para melhoria dos Serviços Públicos , que é um saco sem fundo porque prevê milhões principalmente  para a CP, para o Metro, para os barcos do Tejo e para as rodovias ! Não fala na SATA nem em investimentos nesta Região Autónoma  ( e claro que não se refere à promessa da nova governante da Saúde que prometeu que , em Setembro, que já é amanhã,  todos os cidadãos açorianos terão médico de família ! ) .  Aguardemos sentados ao calor abafado de Agosto !

2.  No Verão geralmente temos oportunidade de ler mais e reter  e apreciar notas mais acutilantes da comunidade que nos rodeia e também de outras fora da nossa área geográfica . Uma das que mais me sensibilizou foi escrita por uma jovem missionária,  que sente na mente e no corpo o que são as agruras dos povos , incluindo crianças e idosos, vivendo em países deste nosso mundo , mas que parece que vivem noutro planeta  !  É por isso, muito  relevante,  o que ela afirma quando escreve que “ Um sorriso e um abraço mudam vidas. Talvez ser missionário e querer mudar o mundo seja apenas sorrir e abraçar quem nos rodeia “. Grande lição na simplicidade da sua mensagem e na novidade do seu pensamento , que só não se encaixa  naqueles sujeitos ou sujeitas ( como agora teimam em dizer )  que cultivam sujidade na cabeça  ! Aqui à nossa volta também nos deparamos com gente carenciada  e sem ninguém que se lhes aproximem e lhes ofereça um sorriso, com um bom dia , com a atenção do coração , aqueles que encontramos deitados na nossa avenida , no jardim , nas entradas das lojas e em lugares descampados que ninguém adivinha onde são . Pode ser do álcool , pode ser do abandono , pode ser de doença , pode ser de múltiplas fragilidades , pode ser de teimosia , de má sorte ou até de preguiça . É urgente por a funcionar um serviço de acolhimento e de acompanhamento sem grandes técnicas e teorias , que geralmente não cabem no coração tresmalhado e sofrido. É preciso também equacionar as dificuldades derivadas da solidão , um dos piores sofrimentos deste nosso tempo. Quase um milhão de portugueses vivem sozinhos e muitos deles são idosos . A Igreja não se pode alhear deste triste cenário e , com menos rituais , festanças e arraiais , para já não falar nos estrondosos concertos , iniciativa de organizações da sociedade civil e autarquias, que alienam e sacodem orçamentos , a Igreja devia  promover  uma intervenção permanente (  e dura e acutilante ) seja com  o governo, as autarquias e com as instituições,   porque ninguém está livre deste pesadelo  !  O conhecido padre , professor da Universidade de Coimbra ,  Anselmo Borges , numa entrevista recente , afirmava sem meias palavras , que  “ A Igreja está afastada do Evangelho “,  um bom tema para a Diocese levar ao projetado Sínodo. Mesmo no meio deste emaranhado que inquieta qualquer cristão , sossega-nos um pouco as  seguintes palavras ,  inseridas  em Hebreus ( 11, 1 )  :  “ Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos “. E a Esperança é sempre a última a morrer , já dizia minha querida e saudosa mãe !

3.  Defendeu o deputado António Almeida que “ os caminhos rurais e florestais não podem continuar sem dono “. Ora , se esta afirmação fosse falsa ou exagerada e fora da nossa realidade geográfica , numa ilha entrelaçada por vias municipais ou governamentais , algumas geridas pelas Juntas de Freguesia , não teria cabimento a preocupação da nossa gente , tanto a que se dedica à agricultura e à pecuária como a que se ocupa das suas matas de criptomérias espalhadas um pouco por todo o lado . É também verdade que tanto Câmaras como o governo açoriano têm investido fortemente em acessos a terras e pastagens e , outrora , também o governo se preocupou inteligentemente da rede de acessos florestais . Mas é preciso não esquecer que , poucos anos depois ,  é fundamental proceder à conservação e manutenção da rede viária , que se degrada com relativa facilidade . Acresce dizer que muitos destes acessos também têm interesse turístico por via da paisagem , do ecossistema, das endémicas e das aves raras do nosso Arquipélago. Uma tarefa ingente que nunca está concluída , mas que carece de desdobrada  e reforçada atenção no investimento anual necessário para aquele setor , indispensável ao desenvolvimento destas ilhas . 
                                         
  Verão de 2019
  
 

Print

Categorias: Opinião

Tags:

x
Revista Pub açorianissima