Chegou de vespa, calças curtas e trazia nos olhos brilhantes, os retratos dos 122 países por onde andou. Rui Gonçalves de Aguilar Antunes foi Topógrafo na C.M.F, mas durante anos encheu de música, as noites do Reid´s Hotel e da Quinta do Sol. Noites Românticas que enfeitaram a sua vida de amor e de amizades. Seu filho, Sérgio, esteve, há duas semanas, num jantar de amigos, onde me encontrava. Foi ali que me falou do “Madeira Optics Museum”, um projecto sonhado por seu pai, situado no centro do Funchal, na Rua das Pretas. Prometi-lhe que iria visitá-lo, pois ele contagiou-me com o seu entusiasmo, despertando-me interesse em conhecer a colecção de objectos de ótica ali exposta. Lá fui e fiquei agradavelmente surpreendido com o património fabuloso ali reunido.
O Sérgio fez questão que eu conhecesse pessoalmente o ideólogo do museu, seu pai. Telefonou-lhe e, em cinco minutos, chegou pedindo-me desculpa pela forma desportiva como trajava.
Felicitei-o pelo seu museu e disse-lhe que se enquadrava no espírito e filosofia do fundador do “Museu da Inocência”, em Istambul, Ophran Pamurk, prémio novel da literatura. Um museu com muitas histórias, com uma vastíssima colecção de objectos de óptica: mais de 3 mil, reunidos em três salas. Rui e Sérgio de Aguilar Antunes lutam, agora, com a falta de espaço para exporem todo o espólio.
Pergunto a Rui de Aguilar quando começou a coleccionar peças de óptica. Começou por reunir binóculos quando era criança, mas máquinas fotográficas e telescópios foi há 40 anos. Máquinas desde os primórdios até aos dias de hoje. É interessante ver a evolução registada em todo o material, nestes últimos 50 anos. A tecnologia era mais difícil e complexa. Sérgio de Aguilar, estudioso, monta e desmonta as peças, por isso conhece todos os detalhes do material exposto.
Rui de Aguilar Antunes é um viajante imparável. Aos 74 anos de idade pode orgulhar-se de conhecer 122 países. Seu filho acompanhou-o em algumas viagens. Conhecem museus de óptica e de filmes de muitas cidades do mundo. O melhor museu está na Coreia do Sul. A próxima viagem será à ilha de Penang, onde está o “Asia The Camera Museum” cuja abertura mudou por completo a vida da ilha.
O meu interlocutor diz-me que “o vício” de comprar é imparável. O seu sonho é abrir no Funchal, o Museu do Coleccionismo, pois para além da colecção referida, Rui de Aguilar reúne vastas colecções de pedras minerais, moedas, selos, balanças, livros e tantos outros objectos que juntou durante uma vida inteira.
Tanto o Sérgio como o pai, estão dispostos a fazer protocolos com o Governo, a fim de ganharem um maior espaço para exporem as milhares de peças de óptica reunida no museu. A maior colecção existente em Portugal. Se tal acontecer, a Madeira poderá dispor de um museu único no país. O Funchal tem já um Museu da Fotografia, o mais antigo de Portugal e um dos mais antigos da Europa: Museu Vicentes, com milhares de chapas e um studio fotográfico, por onde passaram, através dos tempos muitas das personalidades que visitaram a Madeira.
Rui de Aguilar esquece a sua idade e, com uma memória bem viva, recorda cidades e locais que visitou: do Oriente ao Ocidente; da Ásia à África; da Europa à América. Ele continua a sonhar (o sonho sempre lhe comandou a vida) enriquecendo as suas múltiplas colecções com novas aquisições. O seu filho Sérgio espreita-lhe os passos, seguindo-os. Há um entendimento admirável entre pai e filho.
O “Madeira Optics Museum” não lhes dá proventos. Mantêm-no graças ao alojamento local que criaram no mesmo edifício.
Encantado com tudo o que me foi dado a ver e, sobretudo, contagiado com o entusiasmo dos dois coleccionadores, despeço-me prometendo-lhes que tudo farei para divulgar, junto dos madeirenses, o Museu que constitui, indiscutivelmente, uma grande mais-valia para a Região Autónoma da Madeira, um contributo para a sua cultura local.