7 de julho de 2019

Um problema muito sério!

1- “ Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.
Winston Churchill

2-  No auge deste primeiro quarto do século XXI, é obrigatório fazer-se um exercício constante de cidadania para evitar que os governos se tornem nos piores adversários da democracia.
3-  Coisa nada fácil ante os vários poderes que se foram criando no período pós-moderno e que condicionam o poder político, exigindo dele o que não se exige no mesmo patamar de responsabilidade, desses outros poderes que a sociedade e o próprio Estado foi fabricando.
4- Essa conjuntura, difícil de conciliar, leva ao sumiço dos mais capazes e afasta as elites sociais, culturais e económicas do exercício de cargos públicos de eleição, porque não querem sujeitar-se ao enxovalho dos ignorantes que formam grandes franjas dessa mesma sociedade, sempre disponíveis a pontificar sobre tudo e todos, mercê duma escola que se foi formando cujo principio é o de igualdade nos direitos, e renuncia no cumprimento de deveres.
5- E o grande mal é que os poderes soberanos assumem a agenda desses poderes fácticos que crescem e actuam sem regras e enquadramento jurídico, muitos deles poderes monstruosos que estão à porta de dominar o mundo, sem que se veja preocupação dos Estados em criar regras globais, para um mundo que é global.
6- Começando pelo combate às alterações climáticas, e para além das convenções que de quando em vez se juntam para repetirem diagnósticos e apontar medidas requentadas, importa confrontar as pessoas com a realidade do dia-a-dia e saber até que ponto estão disposta a abdicar de confortos propiciados pela tecnologia e pelo desenvolvimento global.
7- As novas gerações estarão ou não dispostas a romper com as “delícias” com que a colectividade viciou e vicia a humanidade, e abdicar do conforto que ela proporciona, através de bens de consumo duradouros e não duradouros, que depois originam quantidades inimagináveis de lixo não reciclável, ou estarão elas dispostas a alterar o uso regular da mobilidade aérea, marítima e terrestre que deixam uma enorme pegada no espaço, no mar e no solo.  
8- Estarão também dispostas a avaliar as consequências que algumas medidas de protecção de várias espécies marinhas têm depois na redução dos stocks piscícolas, indispensáveis para a nossa sobrevivência.
9- Terão os governos coragem de acabar com o plástico usado pelas maiores poluidoras do planeta que são, segundo as ONGs internacionais, a  Coca-Cola, Pepsi Cola e Nestlé. 
10- Mas, na última semana, o Facebook abalou os mercados ao confirmar um rumor segundo o qual aquela rede social planeava desenvolver a sua própria criptomoeda, chamada a libra.
11- Tal anúncio abalou os mercados, mas não se viu ou ouviu que tivesse abalado os Estados. Ficaram mudos e quedos perante um anúncio que ao concretizar-se terá consequências desastrosas para a humanidade 
12- Estamos à porta da criação de um poder plutocrático a nível mundial, através de uma empresa tecnológica com moeda própria e biliões de seguidores, onde tudo se pode vender e tudo se pode comprar, sem qualquer controlo e sem regras. 
13- Por ali poderão circular e converter-se os biliões provenientes do crime organizado, da produção de droga e comércio de armas, que de uma assentada contorna todas as medidas draconianas impostas pelos Estados democráticos aos cidadãos normais, estas em nome da transparência, do combate ao crime e do branqueamento de capitais. 
14- Esta é matéria que deve ser tratada a nível da ONU através de uma reflexão urgente sobre o papel do Direito Transnacional na construção da sociedade contemporânea, e na qual o papel do Estado e do próprio Direito tem de ser repensado com urgência.
15-    Se nada for feito, será o fim da democracia e o início de uma ditadura planetária que terá como aliada os biliões de utentes das redes sociais e os artífices do crime internacional. 
16-    Trata-se de um problema muito sério!

Américo Natalino Viveiros

Print

Categorias: Editorial

Tags:

x
Revista Pub açorianissima