XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia

“O futuro da agricultura está assegurado mas todos temos de fazer mais e melhor para que este sector continue a ser o mais importante da Região”

No final do XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, o Presidente da Associação Agrícola de São Miguel mostrou-se satisfeito com a organização de mais este evento e concretamente com a excelência e profissionalismo com que se apresentaram os animais a concurso. 
Jorge Rita salientou a excelência dos animais, o envolvimento de produtores e famílias e o facto dos animais “estarem cada vez mais bem preparados, com cada vez mais profissionalismo e cada vez mais dedicação”. Jorge Rita deixou também uma palavra de apreço ao público que marcou presença em todo o evento e, principalmente na noite de Sábado em que foi anunciada a Vaca Grande Campeã, mas também durante o XIII Concurso Juvenil Micaelense que reuniu 31 crianças e jovens com os seus animais. 
“Sabendo que este é o melhor e maior concurso que se faz a nível nacional nesta especialidade, temos de mostrar satisfação e temos de acreditar neste sector porque este é o maior e melhor sector de actividade dos Açores. Tem de ser acarinhado por todos, pela política e por toda a sociedade porque sem ele a Região seria outra”, destacou ainda o Presidente da Associação Agrícola de São Miguel. 
Perante tanta excelência, referida várias vezes pelo juiz canadiano Yvon Chabot, Jorge Rita salientou o reverso da medalha. Ou seja, o rendimento dos produtores de leite que não se coaduna com a excelência dos animais. “O excelente concurso que apresentámos não é por si só justificação para se continuar a apostar no sector mas é mais uma nota que apesar da crise e das dificuldades, continuamos a ser resistentes e resilientes e acreditamos naquilo que fazemos. E fazemos bem, demonstrado com a excelência dos animais”, explicou Jorge Rita.
O baixo rendimento dos agricultores não pode ser justificação “para desistir”, afirmou o Presidente da Associação Agrícola de São Miguel, que acrescentou que a excelência existente ao nível do leite “não é valorizada”.
Jorge Rita realçou que a Região “nunca pode ser conhecida pela quantidade, mas sim pela excelência, qualidade e diferenciação dos seus produtos e com as vacas é a mesma coisa”, reforçou.
Perante a excelência dos animais e a “persistência” de muitos produtores, apoiados pela Associação Agrícola de São Miguel através da formação, Jorge Rita acredita que “o futuro da agricultura está assegurado” e aponta para a presença de tantas crianças e jovens no XIII Concurso Juvenil Micaelense da Raça Holstein Frísia. “A questão é que todos temos de fazer mais e melhor para que este sector continue a ser o mais importante da Região”, destacou.
Sobre a Vaca Grande Campeã deste XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, Jorge Rita recorda que a exploração de Óscar e Roberto Ponte soube apostar na excelência e especializar-se. “Há sempre explorações que se especializam, juntam-se a pessoas que têm especialidade nessa matéria e depois de muito trabalho, com muita dedicação e com muito saber”, conseguem bons resultados. “O Roberto e o Óscar Ponte são o exemplo daquilo que é a persistência”, destacou.

Exploração da Lomba da Maia 
vence concurso

É a quarta vez que a exploração de Óscar e Roberto Ponte, da Lomba da Maia, vence um concurso bovino organizado pela Associação Agrícola de São Miguel. Depois da “Gruta”, foi a vez da “ORP Mccutchen Maia” vencer o XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia que decorreu este fim-de-semana no Parque de Exposições de São Miguel, em Santana. 
Dos 235 animais a concurso foi a “Maia” que captou a atenção do juiz canadiano Yvon Chabot, que elogiou o “excelente sistema mamário” da Vaca Grande Campeã, que foi também eleita Vaca Campeã Intermédia e a vaca com melhor úbere. 
Para Roberto Ponte, um dos responsáveis pela exploração, a “ORP Mccutchen Maia” é uma vaca “extremamente balanceada, com muito carácter leiteiro, muito refinada na sua parte óssea, com um sistema mamário muito bom e ligações muito fortes o que faz com que o úbere possa durar muitos anos”. 
Este ano a exploração dos dois irmãos marcou presença no XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia com nove animais, sendo que conseguiram alcançar o pódio com as vitelas, novilhas e também com as vacas. 
Assim que o juiz Yvon Chabot se dirigiu para a “Maia”, conduzida em pista por Roberto Ponte, o animal foi logo abraçado por quem o conduzia em jeito de agradecimento por mais uma vitória. Roberto Ponte disse depois estar “muito satisfeito. Foi uma alegria inexplicável” ter mais uma vez uma vaca sua como Grande Campeã num concurso organizado pela Associação Agrícola de São Miguel (AASM). 
“Estou sem palavras. Nos últimos anos temos conseguido uma Vaca Grande Campeã mas foi sempre com a mesma, a “Gruta”, mas esta vez foi com uma nova vaca”, afirma Roberto Ponte que salientou ser “um grande motivo de orgulho termos conseguido fazer uma nova campeã”. 
O sucesso alcançado nos últimos anos pela exploração Óscar e Roberto Ponte é o resultado da aposta que os produtores da Lomba da Maia têm feito na sua exploração. Roberto Ponte explica que têm apostado “num tipo de animal com grande carácter leiteiro, com um grande sistema mamário, o que nos garante que o animal tenha longevidade porque o úbere tem capacidade para durar muitos anos”, referiu. 

Juiz canadiano destaca dedicação dos produtores micaelenses

O juiz canadiano Yvon Chabot foi quem avaliou os animais em pista no XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia e destacou “os animais de grande qualidade, boas vacas e com boa qualidade leiteira”.
Juiz oficial da Holstein Canadá há mais de 25 anos, Yvon Chabot lembrou as semelhanças dos animais do Canadá com os animais micaelenses, apesar desta ser a sua primeira visita aos Açores embora já tenha sido juiz em vários concursos no continente. Apesar de ser impossível, principalmente por questões sanitárias, as vacas micaelenses marcarem presença em concurso no Canadá, Yvon Chabot refere que a Vaca Grande Campeã poderia “facilmente” sair-se bem em competições do outro lado do Atlântico. 
A “ORP Mccutchen Maia” foi elogiada por ser “um excelente animal”, com um bom sistema mamário e avança que o úbere é efectivamente “muito importante” quando se julga um concurso bovino “porque é dos úberes que vem o leite”. No entanto, o juiz canadiano gosta de avaliar o animal pelo seu todo e no geral a “Maia” foi a que reuniu todas as condições para ser classificada como a melhor vaca em pista. 
Yvon Chabot elogiou também a organização do XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, destacando a dedicação dos produtores micaelenses mas também a assistência que marcou presença no evento. “Ficaram até ao fim e foi até bastante tarde, o que quer dizer que as pessoas também são apaixonadas pelos animais”, concluiu. 
Antes do final apoteótico de Sábado à noite, disse que “já sabia que os Açores eram um arquipélago mas agora fiquei a saber que também têm bons animais”.
Marcaram presença no XVIII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia 235 animais e o juiz elogiou também o entusiasmo com que os mais novos participaram no XIII Concurso Juvenil Micaelense.

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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