23 de junho de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Estamos a quatro meses das eleições para a Assembleia da República e o ambiente político é tenso, a condizer com a ocasião. O Governo do meu querido Primeiro Costa parece a Rainha Santa

Meus Queridos! Estamos a quatro meses das eleições para a Assembleia da República e o ambiente político é tenso, a condizer com a ocasião. O Governo do meu querido Primeiro Costa parece a Rainha Santa Isabel… com uma mão a acenar com esmolas por tudo quanto é canto… para contentar os seus parceiros da geringonça… e depois logo a seguir vai escondendo com a outra… como aconteceu com as taxas moderadoras que acabaram num dia e no outro são postas no congelador, porque custam mais de cento e cinquenta milhões e não há folga para tanto… Depois, vem a promessa de um dia de folga para os pais (funcionários públicos) quando forem levar os filhos à escola no primeiro dia de aulas… mas logo depois o bónus prometido passa só para 3 horas… mandando ao ar as outras 4 horitas do dia que foram prometidas. Mas como não bastasse, a promessa das promessas foi o aumento expressivo dos salários dos funcionários públicos sobretudo para os quadros superiores que estão mal pagos… Até agora ninguém ousou perguntar quanto isso vai custar e onde vais ser cortado o valor que vai custar tamanha medida que serve de engodo aos seiscentos mil funcionários públicos para que o PS arrecade uns largos milhares de votos… mesmo que o severo Ministro Centeno decida fazer uma cativação da medida para equilibrar as contas… Estamos num período que mais parece a “Alice no país das maravilhas”… É o que há, e com a oposição que anda por aí… é amanhar! Cá pelo burgo, espera-se que seja quebrado o tabu do meu rico Deputado Carlos César que colocou o seu futuro político no “segredo dos Deuses” e que só é conhecido pela trindade… formada por António Costa, Carlos César e Vasco Cordeiro… esperando-se que o pano caia a todo o momento e, já agora, que seja com estrondo… No PSD/Açores, a candidatura do Presidente da Câmara de Ponta Delgada José Manuel Boleeiro à Assembleia da República parece ganhar folgo, para mal de Berta Cabral que se mostra disponível para continuar no cargo… A minha prima Maria da Praia disse-me que quem está a ficar com os nervos em franja é o Deputado António Ventura, que está a ver a vida andar p’ra trás…. Pelo andar da carruagem os próximos dias prometem!


Meus queridos! Entrou o Verão com um dia de Inverno com chuva e vento que foi um Deus a dar… para desespero de quem espera a estação para uma boa banhoca ou para passar uns momentos relaxantes à volta de um bom churrasco ou passeando por essas ilhas adentro, admirando as hortênsias que formam um lindo bordado nas bermas das estradas… Fico ruim que nem uma barata quando me lembro que houve em tempos uns iluminados que queriam arrancar todas as hortênsias e conteiras  por serem infestantes… e hoje andam até à caça das conteiras para substituir os pratos, copos e afins de plástico… Mas vamos ao que interessa…  A minha prima Jardelina, mesmo já entradota na idade, não dispensa o seu passeio matinal, lá para os lados da Portas do Mar, onde dá o seu mergulho e faz os seus sagrados 300 metros de natação… Já vestidinha e pronta para sair, e como chovia a bom chover, queria atravessar do lado do Pesqueiro para o lado poente das Portas do Mar, passando por baixo da cobertura lá existente… E qual não foi o seu espanto quando lhe tolheram a passagem obrigando-a a dar uma enorme volta, mesmo debaixo de chuva, tudo porque ali havia uma parada militar, não sei a propósito de quê e nem deixaram uma nesga de espaço para as pessoas poderem passar, mesmo aquelas com mobilidade reduzida. Bastava um passo à frente e uma corda com uns plintos e tudo ficaria resolvido. Mas há sempre quem pareça dono disto tudo… Antigamente dizia-se que “chuva civil não molha militar”, mas hoje, a divisa parece ser… que se molhem os civis…


Ricos! Como sempre acontece neste dia 23, lá vou eu, daqui da minha Rua Gonçalo Bezerra até à varanda florida da minha prima Maria da Vila para assistir a mais uma edição das marchas de São João que já desfilam há 51 anos na velha capital. E bem bom que tenho a varanda da minha prima para ver as marchas sem ninguém dar pelo meu vestido azul-bandeira. Se não fosse a dita varanda eu não sei como seria para ter um lugarinho para ver as ditas cujas, porque em toda a rua direita, desde a Rotunda dos Frades até à Praça de Bento de Góis, e já desde há dias, aquilo é um arraial de cadeiras de todas as cores e feitios a ocupar os passeios que até parece que a Vila foi vendida aos mais espertos e atrevidos. Eu não sei como é que o meu querido Presidente Ricardo Rodrigues não toma mão nisso e proíbe pura e simplesmente aquela pouca vergonha. Os passeios da Rua Teófilo de Braga são mais do que estreitos e cheios de cadeiras obrigam as pessoas a circular na rua, por sinal bem movimentada… E se houver um acidente, todos vão cuspir para o ar e nunca ninguém vai assumir ser o dono das cadeiras. É que já há quem pense também em levar umas mesinhas para ir petiscando enquanto espera pelas marchas… Passa fora!


Meus queridos! Há bem poucos dias e como se tornou tradição, bem bonita, por sinal, um grupo de professores celebrou a sua efeméride jubilar com uma Missa no Santuário da Esperança. E aí tudo bem. O que não está bem e que me foi contado pela minha sobrinha-neta que lá tinha ido com umas amigas que vieram do rectângulo, foi o arraial que ali se armou logo que acabou a missa, para espanto e escândalo das outras pessoas que lá se encontravam. Um lugar sagrado é um lugar sagrado antes, durante e depois das celebrações e não pode tornar-se uma feira de reencontros com gritos e outras exclamações. Foi necessário alguém ir à sacristia e o pobre do sacristão vir cá fora bater palmas e pedir calma e respeito… Não havia necessidade, com um adro tão grande! A perda do sentido do sagrado também é um sinal dos tempos… e é pena!


Ricos! Tenho de mandar um ternurento beijinho a quantos permitiram que o Alto da Mãe de Deus vivesse esta semana um momento tão belo e com tanta gente como aconteceu com a noite de fados, com o meu querido Luís dos Anjos e a belíssima equipa de tocadores. Com uma noite linda, uma iluminação simples mas intimista, diz a minha prima da Rua do Poço que foi aposta ganha e eu, que tenho vindo a repetir aqui nos meus recadinhos que aquele lugar pode e deve tornar-se uma referência para a cidade, fico muito contente. No Verão, não há outro sítio mais fresco e com vista tão deslumbrante. E volto a deixar o meu apelo à Câmara e Junta de São Pedro, para que no Natal a Mãe de Deus seja um ponto de luz que marque a cidade. E que no dia 1 de Janeiro que é dia da Mãe de Deus haja uma verdadeira festa lá em cima… E já agora que não se esqueçam da placa toponímica para a Ladeira. Água mole em pedra dura…


Meus queridos! Contou-me a minha sobrinha-neta que lá para os lados do rectângulo andam muitos alunos e seus papás e mamãs  de cabelos em pé porque receberam ordens de apagar tudo o que foi escrito durante o ano em todos os manuais escolares que foram emprestados pelo Estado. E agora lá têm os alunos e famílias de passar horas a fio a apagar o que foi escrito e mesmo assim os livros nunca mais ficam em condições… Mas não há uma cabecinha pensadora que diga que nos livros emprestados não se deve escrever? E nos que são de exercícios, é tão fácil ter uma folhinha à parte para escrever as respostas. Aliás é um mau princípio que as crianças sejam educadas a escrever e riscar os livros… Mas isto, como é costume é um tal não pensar no dia de amanhã, naquela lógica que não custa desleixar com aquilo que não é nosso… E depois queixam-se da falta de pilim para outras coisas…


Meus queridos! Estou ansiosa que chegue cá um número da revista Visão totalmente dedicados aos Açores que tem sido muito elogiado lá para os lados do rectângulo, mas que ainda não vi. Disse-me  uma amiga de peito que vive na capital do reino que é uma revista e pêras. Mas como sempre, não há pano bom em que não caia inesperada nódoa… É que, diz ela, no belíssimo acervo de fotografias, parece que meteram o Santo Cristo, ou melhor, o Santuário com a iluminação da festa, na Ilha Terceira. E não vem mal ao mundo. Mas eu juro que gostaria de ver se pusessem uma foto da Sé Catedral em São Miguel… Ai Jesus que lá vou eu!


Ricos! Na passada Quinta-feira, no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, li um brilhante e oportuno artigo assinado pelo Professor do Departamento de matemática da Universidade dos Açores, Osvaldo Silva sobre “Estatística e as estatísticas para apoio à  (des)informação” que devia ser lido por todos os que se sentem invadidos por essa onda de estatísticas e inquéritos sobre tudo e sobre todos. E lembrei-me daquele artigo quando li o estudo que diz que mais de 30 por cento dos portugueses mente sobre o seu destino de férias, inventa lugares para onde nunca foi e não gosta de ficar atrás de nenhuma história que outro conte sobre os seus passeios e viagens… Não sei onde vão desencantar estes números e não sei como é que com tanta choradeira sobre a falta de pilim durante o ano inteiro, haja tanta gente a gostar de dizer como gasta e onde gasta o seu dinheirinho nas férias. Pois, ricos, que se divirtam, gozando ou inventando… Por, mim, a miséria da reforma, depois de tantos anos de trabalho lá ao balcão da Caixa, nem dá para sair daqui da minha Rua Gonçalo Bezerra… E garanto também que o Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, não ia ficar contente se eu fosse viajar e não lhe mandasse os meus recadinhos durante umas semanas…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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