Enquanto vamos assistindo à implementação de medidas que salvaguardam e exatamente por isto, enaltecem espaços protegidos, por aqui vamo-nos ficando pelos aspetos ligados estritamente às questões burocráticas!
Já são algumas as praias portuguesas, em locais geograficamente assinalados como áreas protegidas, onde está expressamente proibida a permanência de viaturas, oferecendo como alternativa, a utilização de shuttles que transportam quem quer ir à praia, de estacionamentos limítrofes…
O exemplo da Arrábida, é um exemplo a seguir.
É espantosa a ligeireza e falta de sensibilidade, que nos incutem os responsáveis açorianos…
Se tivermos em atenção que, de acordo com a Direção Regional do Ambiente, as «obras» de que será alvo um espaço como a Ferraria, assentam em corrigir a zona escarpada de acesso, essencialmente na área que tem sofrido contínuos desmoronamentos, com paredes de sustentação em betão… não há como conseguir respirar pausadamente!
Pior ainda quando se promove, em reunião de acesso público para residentes ou população em geral, que em vez de se retirar o peso do parqueamento automóvel do local, se vai ampliar o lugar de estacionamento, oferecendo espaço para mais viaturas!
Se isto não é brincar com as consequências ambientais, não sei o que será!
De que servem, senão para promoção política, estes encontros diretos, se não se ouve nem se tem em conta opiniões e sugestões claras de implementação e se faz apenas questão de informar o que se entende que se tem que fazer, apresentando planos que nem sequer são imediatos, mas que se está a tratar disso…
Não obstante deixou-se feliz a população, principalmente os residentes, com a questão de que estariam estes isentos de taxas de frequência! Triste… O povo gosta é de pão e circo!...
Há muito que aquela zona devia estar interdita ao parque automóvel! Há muito que se devia ter equacionado um parque de estacionamento no cimo do acesso à Ferraria, onde toda e qualquer viatura privada, de aluguer ou autocarros de turismo, devia permanecer, passando para viaturas específicas que fizessem chegar quer às Termas quer à zona balnear, quem quisesse delas usufruir.
Começo a acreditar que a vontade e o gosto entre nós é de fazer mal feito, sem planeamento, sem cuidados de nenhuma espécie, sem o mínimo bom senso!
Ainda há dias, numa intervenção pública, ficamos a saber que o famoso POTRAA (Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores), continua em revisão… ora bem, se está a ser revisto não corresponde às nossas necessidades obviamente e em revisão, a sua aplicabilidade é no mínimo insipiente e será sempre de curta ou nula duração, porque a qualquer momento, pode ter que ser alterada em detrimento de inovações e ajustes!
O que a região precisa é de coragem, para assumir de forma pragmática operacionalidade de decisões… este empurra e salta não nos serve, nunca serviu e nada nos trará que mereçamos.
Se pensarmos ainda que, nunca como agora, houve tanta formação na área do Turismo e que não há uma entidade que certifique, por exemplo, quem vem para o mercado exercer funções de guia turístico… não há como não concluir que estamos entregues à bicharada!
Este amadorismo assume contornos perigosos e irreversíveis.
Falta e há décadas que assim é, um fio condutor eficaz, obrigatório, que seja indissociável de uma qualidade incontornável de serviços.
A ausência de fiscalização e acompanhamento de tudo aquilo que se diz estar a aplicar como medidas, regras, soluções e ideias, legislando ad eternum sem qualquer noção, é já uma patologia… com um estado febril evolutivo e deveras marcante!
Continuamos a esquecer a necessidade extrema de nos apoiarmos em sinergias, se nos quisermos promover como um destino turístico e corremos como nunca o sério risco, de estarmos a promover o que não somos!
Este arranjo musical está desafinado e a correr contra o tempo. O maestro desta orquestra perdeu a sua batuta, se é que alguma vez a possui!...