Igreja assinala hoje a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo com procissão e primeira comunhão

Hoje, 20 de Junho, celebra-se a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, conhecido popularmente como dia do Corpo de Deus.
A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada há mais de sete séculos, em 1246, na cidade de Liège, na actual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula ‘Transiturus’, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.
Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento; terá chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus.
Esta solenidade “enraiza-se no Mistério Pascal de Cristo” e pretende oferecer a “valorização” da Ceia Pascal, continuada na Eucaristia, que por vontade de Jesus Cristo O tornaria presente junto dos seus discípulos.
O Padre Davide Barcelos é peremptório em afirmar que este “é um dia que se deve revestir de actos de fé e de amor a Jesus Sacramentado. É uma solenidade inseparável da Quinta feira Santa, da missa da Ceia do Senhor, na qual se celebra solenemente a Instituição da Eucaristia. Mas, neste dia este mistério da Eucaristia é proposto à adoração e à meditação do Povo de Deus, levado em procissão pelas estradas das cidades e das freguesias, para manifestar que Cristo ressuscitado caminha no meio de nós”.
Recorda o padre -  que tem a seu cargo as paróquias de Milagres, Saúde e Piedade ( Igreja Arrifes) -, “esta é uma solenidade que tem por fim prestar culto à presença real de Cristo na Eucaristia, um culto que, conforme já era descrito por Urbano IV, deve ser popular, reflectido em hinos e em alegria. A pedido do Papa, São Tomás de Aquino compôs para este dia dois ofícios que alimentaram a piedade de muitos cristãos ao longo dos séculos”.
Mais, refere, que, “a procissão com o ostensório pelas ruas engalanadas testemunha a fé e o amor do povo cristão por Cristo que volta a passar pelas nossas cidades e freguesias. A procissão nasceu ao mesmo tempo que a festa. Exemplo desta devoção podemos encontrar, em muitos lugares, mas por exemplo, na Vila da Povoação, onde as ruas são enfeitadas com lindos tapetes de flores, que atrai imensas pessoas de toda a Ilha e turistas”.
Para o sacerdote, ao participarmos na procissão, acompanhando Jesus, “deveremos fazê-lo como aquele povo simples que, cheio de alegria, ia atrás do Mestre, manifestando-lhe espontaneamente as necessidades e dores, como também a felicidade de estarem com Ele. Se o virmos passar na rua, exposto no ostensório, dar-lhe-emos a saber do íntimo do coração tudo o que representa para nós”.
Nos lugares onde esta festa não é de preceito, celebra-se no domingo seguinte à Santíssima Trindade. “Ora, devido à crise este feriado, como outros feriados, foi transferido para o domingo seguinte, conforme ditam as normas litúrgicas.
Na minha opinião, que é muito pobre, devia ter-se mantido no domingo, porque hoje infelizmente, o feriado do Corpo de Deus serve para tudo, menos para celebrar-se o seu sentido original, ou seja, o amor a Jesus Sacramentado. Porque a procissão do Corpo de Deus torna presente Cristo nas freguesias e cidades. Mas essa presença não deve ser coisa de um dia, ruído que se ouve e se esquece. Deve lembrar-nos que devemos descobri-lo também nas nossas ocupações habituais e no dia a dia da nossa vida”, regista o padre Davide Barcelos.
Em São Miguel, na ouvidoria da Povoação, o Dia de Corpo de Deus, feriado religioso reposto no calendário nacional há três anos depois de uma suspensão durante o período em que Portugal foi intervencionado por instâncias externas, coincide com o feriado municipal do concelho.
A celebração do Dia do Corpo de Deus tem um profundo enraizamento popular, desde logo porque está associada ao feriado municipal. Por isso, ao contrário de outros lugares o sermão é feito junto ao edificio da Câmara Municipal e aí é feita a bênção do Santíssimo.
Nesta vila, este dia é um dos dias mais importantes com as ruas a encherem-se de fieis para uma das festas principais do concelho, com as varandas engalanadas e os inúmeros tapetes de flores que cobrem as ruas deste concelho micaelense que recebe neste dia as várias comunidades paroquiais que se incorporam na procissão, com a participação de todas as filarmónicas.
Consciente desta dimensão, há quatro anos que a autarquia povoacense tem vindo a investir, constantemente, em tapetes de flores decorativos, trabalhos que são autênticas obras de arte espalhadas um pouco por toda a Vila.
Este ano serão elaborados cinco tapetes gigantes de flores e outros materiais tingidos, meramente decorativos, alusivos à festividade. Trata-se de um trabalho minucioso que começa semanas antes do dia do cortejo.
A criação destas verdadeiras obras de arte começou ontem à noite e prolonga-se até hoje de manhã. Neste feriado nacional, as ruas são decoradas a rigor e as varandas dos Paços do Concelho igualmente enfeitadas com primor, assim como as de muitos particulares que enriquecem as suas fachadas para o “Corpo de Cristo” passar.
Em Ponta Delgada, pelas 18h00 será celebrada uma eucaristia, presidida pelo ouvidor cónego José Medeiros  Constância. Em Angra, a catedral veste-se de festa para uma celebração às 18h00, presidida pelo bispo D. João Lavrador, seguida de procissão pelas principais ruas do centro histórico até à igreja de Santa Luzia. Integrar-se-ão na procissão todas as cruzes paroquiais da ouvidoria. Em Santa Luzia haverá a bênção do Santíssimo. A procissão solene pelas principais ruas de Ponta Delgada será presidida pelo cónego Adriano Borges, Vigário Episcopal.
Na Vila das Capelas, na Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, também se assinala em festa este dia, com a saída da procissão de Corpo de Deus, pelas 18h30, que percorrerá principais artérias da Vila, decorada com lindos tapetes.
Hoje em quase todas as paróquias dos Açores há procissão, dia em que também as crianças que frequentam a catequese tomam a primeira comunhão. É o dia em que recebem pela primeira vez o sacramento de Eucaristia.

Nélia Câmara/IA

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

x
Revista Pub açorianissima