16 de junho de 2019

Mudar para fazer melhor

1- Fizemos um voto no editorial de Domingo passado relativamente às celebrações do Dia dos Açores que aconteceriam na Segunda – feira seguinte, escrevendo que “Ao comemorar-se o Dia dos Açores fica a esperança que o Espírito Santo traga a sabedoria e a vontade para se fazer melhor, com os olhos postos nas gerações açorianas que se seguem”.
2- Esse voto não foi em vão, porque no Dia dos Açores falou-se de problemas concretos de regime, que devem preocupar qualquer consciente cidadão. 
3- O Presidente do Governo repôs a verdade que muitos procuraram falsear durante anos, quando dividiam em dois períodos a Autonomia, deixando para trás as duas primeiras décadas, e começando tudo com a da alternância democrática do poder, que aconteceu em 1976, alternância que é salutar e necessária para garantir a dinâmica da Democracia, mas, que não pode servir para limpar a história do passado. 
4- É por se perder a memória que temos um país amnésico, com altos responsáveis que não se lembram do passado recente, esquecendo-se que, no desempenho de funções públicas que exerceram, foram autores de medidas e decisões importantes, muitas das quais se transformaram em instrumentos que tiveram por fim criar um poder económico e financeiro abjecto, que se sobrepusesse ao próprio Estado, originando, no entanto, custos enormes que lesaram o país e os contribuintes. 
5- Todos esses autores, que bem conhecidos são, podem ter perdão da justiça, mas dificilmente serão perdoados pelo mal que fizeram aos contribuintes e pelas consequências que isso representou para todo o país.
6- É por essas e por outras, que temos de mostrar as nossas diferenças, e afirma-las no espaço a que pertencemos, com convicção e determinação, numa altura em que algumas vozes clamam por Lisboa. 
7- A retrospectiva feita no Dia dos Açores pelo Presidente Vasco Cordeiro sobre os 43 anos já passados, deve ser multiplicada sem rebuço pelos responsáveis políticos, para relembrar aos que nasceram depois de 1974, as mudanças que os Açores alcançaram ao longo destas quatro décadas, partindo de uma situação de miséria e iliteracia a que estávamos votados.
8- Depois de reflectirmos sobre algumas propostas que foram apresentadas no Dia dos Açores, visando estabelecer uma nova relação entre eleitos e eleitores, deparámo-nos com um obstáculo quase intransponível, e que a nosso ver, tem sido a causa da doença que a Democracia enfrenta, e que se chama a “ditadura” partidária que subjuga a política. 
9- Os partidos giram à volta dos seus militantes e não dos eleitores. Mesmo relativamente aos militantes, apenas uma casta de privilegiados formam a máquina partidária que manda no partido e esta decide as escolhas dos candidatos, não por mérito ou saber, mas por obediência a quem manda, sem se preocuparem com a opinião dos militantes e dos eleitores. 
10- Daí o fosso existente com a sociedade. Daí, também, o crescente desencanto com a política e com os políticos e a crescente taxa de abstenção.
11- A relação entre os eleitores e os políticos só poderá mudar quando os partidos mudarem as regras da escolha dos candidatos às Juntas de Freguesia, municípios, e deputados, fazendo-os passar por eleições directas dos militantes com listas abertas aos candidatos. 
12- Essa mudança poderá ser a chave para suscitar uma verdadeira mobilização popular, como acontece nas primárias para a escolha do candidato a candidato a Presidente dos Estados Unidos da América, 
13- E por falar na América, nunca é demais lembrar o processo que levou à retirada dos americanos da Base das Lajes e as consequências de tal opção para a Região, tendo o Presidente do Governo já aventado como necessário e desejável a renegociação do contrato entre Portugal e os Estados Unidos da América.
14- Por isso, é com espanto que vemos agora o Ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, transmitir ao Secretário de Defesa dos Estados Unidos, numa reunião no Pentágono, que o Governo Português não tem qualquer interesse em entregar a Base das Lajes aos chineses. 
15- Então, onde fica a defesa dos interesses dos Açores, quando nada se diz quanto ao futuro do acordo existente?

     
 

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Categorias: Editorial

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Revista Pub açorianissima