9 de junho de 2019

Tormentas que apoquentam

1- Estamos na véspera da celebração do Dia dos Açores, que este ano coincide com a data da celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, sendo por isso oportuno fazer uma pausa e reflectir sobre as tormentas que apoquentam quem procura no presente respostas para o futuro, sem esquecer o passado recente e as responsabilidades que recaem sobre cada cidadão, no poder político que governa, que é oposição, e na sociedade, tal como está organizada.
2- Ao longo das últimas duas décadas, a Região recebeu um conjunto de fundos comunitários que foram determinantes para os projectos de investimento público e privado que impulsionaram o crescimento e desenvolvimento alcançado, quer em termos sociais, quer em termos económicos. 
3- Porém, de acordo com os dados agora publicados, respeitantes ao Desenvolvimento Regional, e ao índice de Coesão, que é determinado pelo acesso da população a equipamentos e serviços colectivos básicos, com destaque para a Saúde, Educação e Cultura, os Açores ficam classificados em penúltimo e último lugar, comparativamente com as demais parcelas do território Português.
4- Salva-se a boa qualidade ambiental que nos coloca na quinta posição da escala que é determinada pela qualidade da água, do ar e da eficiência energética.
5- Se o investimento feito nestes quarenta e três anos de Autonomia Democrática e sobretudo com os envelopes financeiros provindos da União Europeia nas duas últimas décadas, foi insuficiente para colocar a Região a convergir de forma satisfatória com Portugal no seu todo, é obrigação de todos os responsáveis políticos e sociais cuidarem de saber onde falharam e como resolver as deficiências gritantes na saúde, educação e cultura, que tolhem a progressão dos Açores e dos Açoreanos.
6- A política do faz de conta não resolve os problemas com que nos defrontamos e continuando por esse caminha acabaremos num beco com saída indesejada.
7- Mesmo a qualidade ambiental que nos distingue, se nada for feito, vai tornar-se num pesadelo, cuja pegada é já uma realidade pela sobrecarga que o turismo e as actividades conexas originam.
8- Hoje, viver em meios urbanos como Ponta Delgada, começa a ser um pesadelo, pelo tráfego estacionado em todas as ruas, criando dificuldades na mobilidade dos residentes e dos passantes, sem que haja parques de estacionamento disseminados para acomodar o parque automóvel que cresceu, em parte, devido à população flutuante que o turismo originou, e que não dispõem de meios de transporte alternativo para se deslocar.
9- Este é um problema dos Municípios, mas não só. É um problema da Região que tem de ser politicamente gerido como um todo, em cooperação com todas as entidades responsáveis.
10- Pensa-se o presente com festas e festanças, artistas a peso de ouro, com mimos efémeros, e discursos de circunstância, para manter as agendas políticas condizentes com as agendas eleitorais, gastando-se o tempo no espectáculo em que se tornou o desempenho das funções públicas, e que devia ser usado para projectar o que é vital para a sobrevivência no futuro imediato.  
11- Querem mais razões para o divórcio que existe entre a classe política e a sociedade, que se sente policiada dia e noite, como agora foi denunciado, pela existência de “equipas secretas” a investigarem 24 horas por dia os contribuintes suspeitos de fugirem ao fisco. 
12- Se é verdade que existe uma equipa “secreta” que anda a vigiar e a fotografar os contribuintes, sem ordens escritas e cuja acção não está prevista na lei que define crimes fiscais, estamos perante um Estado policial, que relembra, quarenta e cinco anos depois, as “equipas secretas” da PIDE no tempo da ditadura.
13- A denúncia anónima, num tempo em que o boato se torna verdade em segundos, não pode ser legitimada como prova para perseguir tudo e todos, porque a profissão de carrascos não se extinguiu com o avançar dos tempos, antes pelo contrário, ela floresce sob vários tons e várias aparências.
14- Ao comemorar-se o Dia dos Açores fica a esperança que o Espírito Santo traga a sabedoria e a vontade para se fazer melhor, com os olhos postos nas gerações açorianas que se seguem.
 

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Categorias: Editorial

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