Jaime Rita, Presidente da Junta de Freguesia da Maia

“Se as pessoas não fossem reivindicativas como são, estávamos como há 40 anos atrás”

Jaime Manuel Serpa Costa Rita, de 67 anos de idade é o Presidente da Junta de Freguesia da Maia, no Concelho da Ribeira Grande.
Anteriormente foi secretário da Junta de Freguesia, de 1994 a 1997, assumindo o cargo de Presidente de 2001 a 2005, seguindo-se depois uma experiência como vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande até 2009, altura em que reassumiu a liderança da Junta de Freguesia até aos dias de hoje.
“Assumir um cargo como este tem sido uma luta diária, muitas vezes inglória, mas também com resultados palpáveis. Contudo, quando se olha para trás e para aquilo que tem sido feito, tenho em consciência a sensação de dever cumprido. Logicamente, que não conseguimos chegar a tudo e a todos, resolvemos aquilo que é possível resolver e o que não for possível tentamos solucionar o problema junto de quem pode”.

Melhorar primeiro a qualidade de vida 
dos cidadãos

“Nos últimos dois mandatos, a nossa aposta foi mais direccionada para parte social e passado todo este tempo, não nos arrependemos rigorosamente nada da nossa opção. Penso que foi a opção correcta, que deu resultados e fez com que muitas famílias sobrevivessem economicamente. A este propósito, devo dizer que aproveitamos todos os programas existentes e colocados à disposição por parte do Governo Regional dos Açores, o que fez com que, a determinada altura, conseguíssemos ter cerca de 90 pessoas a prestar serviço à nossa comunidade. Com isto, conseguiu-se melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas também foi uma prestação de serviços que prestaram à Freguesia, ao Concelho e à Região”.
Se muita coisa já foi feita, também há muito ainda a fazer. A este propósito, Jaime Rita releva que o problema das acessibilidades persiste, principalmente o acesso nascente à Freguesia. “Esta é uma luta que já perdura no tempo há meio século, até porque a última grande intervenção que foi feita, foi há 60 anos e eu era ainda uma criança. Daí para cá, vai-se remendando pontualmente o caminho. Eu, como autarca, também tenho a minha cota parte de culpa, porque também já fui vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande e essa é uma responsabilidade da autarquia. No entanto, felizmente já existe um projecto, entretanto anunciado e que vem ao encontro das nossas pretensões. Assim, está previsto o alargamento da via, com nova pavimentação, boas drenagens e o surgimento de um passeio para facilitar a passagem dos peões”.
Jaime Rita relembra que foi feita contagem para constatar o movimento naquele troço, entre as 08h00 e as 19h00, e foram contabilizadas a passagem de 70 pessoas, 18 autocarros e mais de um milhar de veículos automóveis, isto numa altura em que a via estava em melhores condições, porque no momento está condicionada por falta de segurança. “Se não houver problemas ou reclamações, temos a garantia que a obra deverá arrancar em Setembro”, acrescentou.

Alojamento Local: Uma realidade

Jaime Rita valida, de igual modo, um crescente número de pedidos de pessoas que têm vindo a solicitar a abertura de alojamentos locais na Maia. “Há aqui uma grande procura, mesmo até de pessoas que simplesmente contactam a Junta de Freguesia porque querem constituir residência aqui na Maia”.
Esta realidade traz, por outro lado, um problema “porque vamos todos apostar no Alojamento Local, que é mais rentável e depois deixa de haver habitações para casais que necessitam de moradias”.
Apesar de ter um orçamento reduzido, a Junta de Freguesia da Maia apoia, naquilo que pode, em pequenas reparações em moradias, mas também reencaminha os casos difíceis para os serviços da autarquia ou para a Direcção Regional da Habitação.
“Devo referir também, que o Governo Regional dos Açores fez também aqui um investimento grande em termos de habitação, com a construção de 52 moradias e vai avançar, de igual modo, com a construção de mais 12 apartamentos”.

A Maia tem de tudo um pouco

Sobre a Maia, Jaime Rita relembra que a freguesia tem inúmeras instituições, todas elas, activas e colaborantes. Entre instituições e serviços, surgem a Casa do Povo da Maia, Santa Casa da Misericórdia, Posto de Turismo, Centro Social e Paroquial, Maia Clube dos Açores, Grupo Desportivo da Casa do Povo, Banda Filarmónica, Grupo de Cantares da Casa do Povo, Bombomania, Escuteiros, Polícia de Segurança Pública, bancos, RIAC/CTT, empresas turísticas, espaços lúdicos, de Saúde e serviços comerciais.
Jaime Rita exemplifica ainda, que “a partir da Junta de Freguesia, num raio de 150 metros”, a Maia tem tudo aquilo que necessita, “desde um talho, passando por uma farmácia, posto de saúde, instituições de crédito, lar de idosos, restaurantes, cafés, entre outras. Ou seja, temos de tudo e isso faz com que a vivência na Maia seja diferente das outras freguesias”.
Na Junta de Freguesia da Maia estão cerca de 34 colaboradores, ao abrigo dos contratos de prestação de serviços.

Jaime Rita considera-se 
“um homem do povo”

Fora da Junta de Freguesia, Jaime Rita considera-se um homem do povo. “Nasci e criei-me na Maia, estudei em Ponta Delgada e vim para aqui novamente”. No presente é pai de três filhos e avô de dois netos. Tem pouco tempo livre, porque “tem o dia todo ocupado”. Além da Junta de Freguesia, Jaime Rita também é o Presidente da Casa do Povo da Maia, que já é uma instituição com alguma dimensão, com 36 colaboradores para cuidar das sete valências existentes com a perspectiva de virem ser abertas mais duas valências. Entre as obras previstas, releve-se a ampliação da infraestrutura que alberga a creche na freguesia, “porque estava dimensionada para 50 crianças e neste momento a sua capacidade máxima está esgotada e já há, inclusivamente, cerca de 20 crianças em lista de espera”. Um outro investimento a ser concretizado na Maia “é a construção de um Centro de Noite, que pode constituir para as pessoas idosas, uma alternativa à institucionalização, por proporcionar um espaço de apoio durante a noite, porque depois as pessoas sabem que durante o dia podem regressar às suas casas”.

“Sem trabalho 
não se consegue nada”

Jaime Rita é ainda o coordenador da ANAFRE nos Açores e é o Vice-presidente do Conselho de Ilha de São Miguel, que “também dá trabalho, mas isso sem trabalho não se consegue nada”, sustenta. “Ao aceitar estes cargos procuro sempre levar tudo a bom termo, sem vaidades, porque não sou vaidoso, mas tenho muito orgulho naquilo que faço, juntamente com as outras pessoas que colaboram comigo”.
“Se a Maia não fosse como é, e as pessoas não fossem reivindicativas como são, estávamos quase iguais aos que éramos há 40 anos atrás”. 
Entretanto, e no âmbito das actividades culturais da Freguesia da Maia, realizar-se-á a 18.ª edição da Noite Quente e Chá ao Luar, na noite de 13 para 14 de Julho.

 

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