9 de junho de 2019

Quando se embeleza uma final da Taça de São Miguel

FESTA ADIADA: A final da Taça de São Miguel era o pretexto da Direcção da Associação de Futebol de Ponta Delgada para realizar uma festa de encerramento da época, envolvendo as crianças dos escalões de iniciação designados por Petizes e por Traquinas.
A intenção caiu porque houve a necessidade de alterar o jogo da final sénior de sábado para domingo passado. Iria coincidir com os jogos decisivos de atribuição do título de campeão de Portugal. As bancadas iriam ficar com poucas pessoas.
Com mais de 300 praticantes, com os familiares e com os assistentes da partida da final sénior entre o Sporting Ideal e o Desportivo de Rabo de Peixe, o ambiente no estádio de São Miguel seria diferente.
Seria o recordar de concentrações de jogos finais das taças de São Miguel de todos os escalões etários que, em moldes diferentes, as direcções presididas de Fernando Faria, Abílio Batista e Auditon Moniz levaram a efeito com alguma regularidade.

ORGANIZAÇÃO DE PARABÉNS: A alteração do dia fez com que o programa inicial da final da Taça não fosse cumprido, mas não impediu que se assistisse a uma organização perfeita, com alguns pequenos mas importantes pormenores a não serem esquecidos, necessários quando se pretende que as nossas organizações atinjam um plano a roçar a perfeição, mesmo sendo praticadas por pessoas que têm outras ocupações profissionais.
Reporto a identificação dos bancos que as equipas ocupariam, os apanhas bolas pelas crianças da equipa infantil do Desportivo de Rabo de Peixe, cada parte dos 90 minutos e do prolongamento a ser jogada com as bolas que cada equipa utilizou durante a época no respectivo campeonato; a comunicação dos momentos mais significativos do jogo; a placa com a designação do troféu para a foto final; os papelinhos a voarem sobre os vencedores no momento da consagração e outros que foram postos em prática.
Enfim, houve entusiasmo, houve música, houve festa, complementada por uma assistência que deve ter ultrapassado as expectativas. Realmente, não é usual, nos tempos actuais do futebol regional, estarem a assistir a um jogo daquele calibre 655 espectadores.

Como não só baseio estes textos com críticas construtivas, endereço os parabéns à AFPD.
Destaco o dirigente Luís Cunha, que esteve a preparar e a executar o plano da final, sempre atento e interventivo a todas as nuances do jogo.

COMPLEMENTO: Para complementar e fortalecer o programa, a exibição de praticantes de ginástica nas disciplinas que estão em actividade na ilha, de praticantes de karaté, de grupos dos tambores (como aconteceu em 2012, antes da final Capelense-Mira Mar) ou de bandas de música, daria outro ambiente à festa.
São sugestões para próximas edições que fortalecerão o ambiente e a festa do futebol.

O ENSAIO DE FERNANDO FARIA: Fernando Faria, falecido precocemente em 2004, que já havia presidido à Associação de Futebol da Horta, trouxe um maior dinamismo à Associação de Futebol de Ponta Delgada quando assumiu a presidência no final da década de 80.
Uma das iniciativas foi a de fazer da final da Taça de São Miguel uma festa. Uma festa que não se resumia apenas aos jogos de futebol de juniores e de seniores. 
Incluía desfiles das equipas, incluía música e demonstrações de outras modalidades, nomeadamente algumas com espectacularidade, como as de combate, que começavam a dar os primeiros passos na ilha.
A dinâmica que Fernando Faria empreendia era de tal ordem de grandeza que não deixava quase nada ao acaso. 
Numa das festas que foi posta em prática no estádio de São Miguel por ocasião de uma final da Taça de São Miguel, havia um desfile de algumas dezenas de jovens. A exibição e a coreografia que Fernando Faria preparou seria acompanhada ao som de uma banda filarmónica, outra das actividades que se dedicava.
Aconteceu que no dia do ensaio não houve banda. Fernando Faria não se preocupou. Acompanhou os jovens com o bater de palmas e com o som próprio dos instrumentos de uma filarmónica, marchando ou à sua frente ou ao lado. Batia o ritmo, gesticulava.
Quando sentia a necessidade de corrigir os movimentos ou o percurso, interrompia o som para dar a instrução necessária, retomando de imediato as palmas e o “taratachim, taratachim”.
Foi Fernando Faria que teve a iniciativa de fazer deslocar uma selecção de futebol sénior da ilha de São Miguel à Bermuda em Janeiro de 1988.
Numa altura que se repete a visita de uma selecção à décima ilha do arquipélago dos Açores, tal o elevado número de açorianos ou de descendentes que ali residem, é coincidente lembrar quem tinha uma visão de promoção do futebol não apenas dentro das quatro linhas.
Passados 15 anos da sua morte, deixo esta homenagem ao dinamismo e à dedicação. 

HOMENAGEM A IVO BATISTA: Antes de ser dado o pontapé de saída no jogo final da Taça de São Miguel, a direcção do Sporting Ideal homenageou o jogador Ivo Batista, que representou o clube durante cinco épocas quer nas provas locais quer nas provas regionais e nacionais.
Ivo Batista, de 34 anos de idade, passou por problemas de saúde que obrigaram-no a interromper a actividade desde 11 de Dezembro.
Aos poucos tem recuperado, ao ponto de ter actuado alguns minutos no jogo final que a actual equipa (União Micaelense) disputou para o campeonato. 
Quando foi conhecida a situação clínica de Ivo Batista, gerou-se uma onda de solidariedade transversal a muitos colegas e adversários. 
Um problema que não é oncológico, mas que requereu uma operação delicada e com cuidados muito especiais. Foi realizada numa unidade hospitalar na cidade do Porto.
Quando efectuou o último jogo pelo União Micaelense antes da operação, no Pico da Pedra, com o Vitória, o presidente Manuel Arruda entregou a Ivo uma placa e dirigiu-lhe palavras de incentivo.
O clube onde se formou e que regressou esta época, acompanhou sempre a evolução e a situação de Ivo Batista, tendo mesmo uma comitiva formada pelos directores Arsénio Furtado e Bruno Andrade visitado o jogador quando esteve internado.
Um gesto que embelezou ainda mais a festa do futebol no estádio de São Miguel.

PLACARDE: no último jogo que o Santa Clara efectuou no estádio de São Miguel, com o Feirense, foi utilizado um novo placarde. 
Com dimensões grandes, estava colocado junto ao solo e no lado oposto aos balneários. Informa os autores dos golos com as figuras dos marcadores, o mesmo acontecendo aquando da constituição da equipa e das substituições.
Como não apareceu no jogo da final da Taça de São Miguel e como foi o antigo que funcionou, parte-se do princípio que será propriedade da Santa Clara Açores, Futebol SAD.

BOLAS: Como escrevi acima, o jogo final da taça foi jogado com as bolas que as equipas do Sporting Ideal e do Desportivo de Rabo de Peixe utilizaram ao longo da época nas respectivas provas. 
Em cada parte do tempo regulamentar e do prolongamento, os jogadores puderam contactar com as bolas que estão mais habituados.
E aqui foi notória a diferença de qualidade entre as que o Sporting Ideal apresentou e as que o Desportivo de Rabo de Peixe colocou em campo. 
Muito melhores as que foram indicadas para o Campeonato de Portugal (Sporting Ideal). O rolar da bola pelo relvado era suficiente para, à distância, ver a diferença. Aquelas sem os ressaltos que as bolas do Campeonato dos Açores apresentaram.
Alguns treinadores queixaram-se da qualidade das bolas que foram escolhidas para a prova açoriana. Se ao longo da época comprovaram-se as deficiências, no jogo da final pôde-se analisar as diferenças. 

 

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Categorias: Opinião

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