As nossas filarmónicas (19)

‘Banda Lealdade’ fundada por vilafranquenses

A Banda Lealdade foi fundada no ano de 1867, por iniciativa de um grupo de vilafranquenses afetos ao Partido Regenerador, num contexto histórico de lutas políticas entre Regeneradores e Progressistas, que se revezavam no poder, no tempo do reinado de D. Luís I. O grupo fundador deu à nova filarmónica o nome de “Lealdade”, sublinhando assim o facto de serem leais ao regime vigente. 
A sua primeira aparição pública ocorreu no dia 12 de maio de 1867, tomando como patrono o padroeiro da Ilha, São Miguel Arcanjo, e o seu hino oficial foi composto com música de João Bernardo Rodrigues e letra de Augusto Loureiro.
O primeiro maestro da Banda Lealdade foi o compositor e violinista Vítor de Almeida. Foi ele quem organizou a Banda Lealdade como «Fanfarra», nome pela qual é ainda hoje popularmente reconhecida. 
No início do século XX, a filarmónica teve como principal protetor e mentor o benemérito Visconde da Palmeira, que ofereceu à Lealdade uma sede própria, um fardamento novo e uma bandeira bordada a ouro, em 1908. Em 1910, a Banda Lealdade recebeu um novo instrumental vindo de Paris.
No ano de 1927, a Lealdade conquistou o 1º Prémio no II Certame de Bandas da Cidade de Ponta Delgada e, em 1953, adquiriu um novo instrumental oriundo da então República Federal da Alemanha, que conferiu à filarmónica um novo timbre, terminando assim com o estilo musical da velha “Fanfarra”.
Nos anos sessenta, a Lealdade atravessou dificuldades decorrentes da emigração de muitos dos seus elementos para os Estados Unidos da América e Canadá. Ainda assim, em 1967, comemorou o seu centenário com um sarau músico-literário no Teatro Vilafranquense, sob a direção do maestro Tenente-Coronel Idílio Fernandes.
No início da década de setenta, a Lealdade esteve inativa durante cerca de dois anos, mas um grupo de músicos contratou um novo maestro, Manuel Simões, e regressou às atuações públicas.
Nos anos oitenta, já sob a batuta do então 1º Sargento Luís Gonzaga Resendes, a Lealdade concretizou o sonho de uma primeira deslocação artística aos Estados Unidos da América, em 1987.
Nos anos noventa, a banda deslocou-se, pela primeira vez, à ilha de Santa Maria e, pela segunda vez, à ilha Terceira. A sua primeira deslocação ao continente português ocorreu no ano 2000.
Já sob a regência do seu atual maestro, 1º Sargento Carmino Martins de Melo, músico da Banda da Zona Militar dos Açores, a Lealdade deslocou-se à ilha de São Jorge (2005), ao continente português (2008) e às ilhas do Faial e Pico (2010).
A Banda Lealdade conquistou o 1º Lugar do Nível II do Concurso de Bandas Filarmonia, realizado em Ponta Delgada, em 2010, e, no ano seguinte, o 1º Lugar do Nível I do mesmo concurso, que então teve lugar na Madalena do Pico.
Em 2017, a Banda Lealdade assinalou os 150 anos da sua existência com um programa comemorativo que incluiu a edição do seu primeiro CD.

Dirigentes

Mesa da Assembleia Geral – Paulo Alves Botelho de Gusmão (presidente), Jorge Alberto Bulhões Gago da Câmara (vice-presidente) e Bento Furtado Vieira (secretário).
Direção – Cláudio Manuel Pacheco Vieira (presidente), Edgardo Costa Madeira (vice-presidente), Elisabete Martins de Melo (secretário), Luís Miguel da Ponte Pereira (tesoureiro), Carlos Silva, Virgínio Palhinha, Alfredo Domingues Bolarinho, Américo de Medeiros Vidinha e João José Rodrigues Carroça (vogais).
Conselho Fiscal – Carmino Martins de Melo (presidente), Josué Botelho Melo (vice-presidente) e Paulo Andrade (secretário).
Anteriores presidentes: Eduardo Calisto de Amaral, José Ferreira, Manuel Correia da Ponte, Mário Augusto Branco (1992), Urbano Piriquito (1993-2002), Mário Augusto Branco (2002-2004), Maria do Rosário Medeiros (2005-2007), Carlos Alberto Borges de Medeiros (2007-2018).

Maestro

Carmino Martins de Melo nasceu em 1978 e iniciou os seus estudos musicais, aos oito anos de idade, na escola de música da Banda Lealdade, na classe de clarinete. No ano 2000, ingressou na Banda de Música da Zona Militar dos Açores, iniciando, também, os seus estudos de clarinete no Conservatório Regional de Ponta Delgada. Em 2004, concluiu a especialidade de músico na Escola de Sargentos do Exército. Fez parte da Orquestra Sinfónica da Madeira e é membro da Orquestra Regional Lira Açoriana e da Orquestra Ligeira da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo. Participou em diferentes cursos de direção de banda. Possui o curso de Formador promovido pela Direção Regional da Cultura e recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Município de Vila Franca do Campo. É 1º Sargento do Exército Português.
Anteriores maestros: Manuel Luís Estrela, José Cabral, Francisco Botelho da Costa, Vítor de Almeida, Carlos Manuel Simões, Manuel Salvador Pereira, Tenente Francisco José Dias, Tenente-Coronel Idílio Martins Fernandes, 1º Sargento Rosa, 1º Sargento Lagoa, Sargento-Mor Luís Gonzaga Resendes, Sargento Mário Rocha, Sargento-Mor Luís Gonzaga Resendes. 

Músicos

Aníbal Cristiano Teixeira de Sousa (50 anos) Bombo; Bento Furtado Vieira (37 anos) Trompete; Carlos Alberto dos Santos Pacheco (27 anos) Trombone; Carlos Miguel Medeiros (19 anos) Trompete; Carlos Silva (38 anos) Clarinete; Érica (13 anos) Trompa de Harmonia; Eulália Moniz (14 anos) Trompa de Harmonia; Fabiana Róias (21 anos) Clarinete; Fábio Arruda Pacheco (33 anos) Saxofone Tenor; Fábio Ferreira (17 anos) Bombardino; Fábio Miguel Vertentes Palhinha (18 anos) Percussão; Gabriel Martins de Melo (12 anos) Percussão; Guilherme Rodrigues (11 anos) Percussão; Hélio Martins de Melo (38 anos) Saxofone Alto; Hélio Medeiros (40 anos) Saxofone Barítono; Isa Sofia Bolarinho (23 anos) Clarinete; Laura Rodrigues (16 anos) Clarinete; Luana Gomes (18 anos) Clarinete; Luís Medeiros (13 anos) Trompete; Luís Miguel da Ponte Pereira (32 anos) Tuba; Luís Vicente Cabral (25 anos) Trompete; Manuel Domingues Bolarinho (50 anos) Caixa; Maria Eduarda Pereira (29 anos) Trombone; Mário Ruben Arruda Pacheco (38 anos) Clarinete; Paulo Andrade (25 anos) Flauta Transversal; Pedro Miguel Braga Arruda (25 anos) Clarinete; Ricardo Baptista (43 anos) Saxofone Tenor; Rogério Manuel Medeiros (19 anos) Clarinete; Rui Brum Furtado (20 anos) Saxofone Alto; Rui Brum Furtado (42 anos) Clarinete; Rui Cardoso (40 anos) Tuba; Rui Flávio Vieira Rodrigues (32 anos) Trombone; Rui Miguel Leandro (32 anos) Saxofone Alto; Tiago Filipe Ferraz Bolarinho (29 anos) Trompete; Valter Manuel de Sousa Xavier (38 anos) Clarinete; Valter Nicolau Ponte (27 anos) Clarinete.

*Do livro em preparação “Filarmónicas 
de São Miguel – a alma de um povo”
 

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Categorias: Opinião

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