29 de maio de 2019

A Rota da Seda - O Regresso

Projecto chinês, cujo nome foi recuperado de há muitos séculos atrás, quando europeus, árabes, judeus, persas e outros povos, tiveram contactos com esta milenar civilização.
 O Presidente do Estado Chinês e do Partido Comunista, Xi Jinping, reeleito recentemente para mais um mandato vitalício, visitou há meses Portugal. Assinou vários acordos de negócios.
Desde logo ficou acertada uma visita de Estado à República Popular da China, chefiada pelo Presidente de Portugal Professor Marcelo, que incluía para além de membros do governo, muitos empresários.
Os actuais chineses de Xi, procuram recuperar a antiga rota. Sem deixarem o livrinho vermelho de Mao, aprendem com sofreguidão e avidez, inaudita, todos os livros da “Escola de Chicago”. Copiadores eficazes, executam com eficiente excelência. 
Não deixa de ser uma curiosidade paradoxal, que enquanto o foco americano se desloca para  oriente, no pacifico, Xi aterra nas Lages, não para uma simples “aguada”, mas sentir que o atlântico a norte, também interessa à sua politica global e digital, que a empresa estatal e multinacional Huawei, tem sido, entre outras, a mais proeminente.  
 Portugal “negoceia” em Pequim. Apenas parceiros, aliados não.  Salienta, cauteloso, o Presidente Marcelo, sob o olhar “diplomático”, do sempre perspicaz Ministro Santos Silva.
A propósito desta visita, ao mais alto nível à China, recordemos o que, o Presidente e o Ministro, poderiam eventualmente, ao tempo  em que eram apenas Professores Catedráticos e comentadores televisivos, terem subscrito,  aliás na linha do que vários analistas políticos isentos fizeram.
Sobre se a China, era ou não uma Nação Democrática, façamos então o seguinte exercício. O que teria respondido o Presidente – Professor?
É um Estado de Partido Único, o Comunista. As liberdades, tal como as percebemos no ocidente e na América, não existem. O regime totalitário e ditatorial mantém-se, embora tolerem alguns movimentos ditos de democráticos. Conhecedores da natureza humana, abriram-se ao capital e ao mercado. Só para alguns. Os milionários e os presidentes das grandes empresas estatais, gerados pelo capitalismo, “convém” que tenham o cartão do partido. Mas o recomendável é serem membros do Comité Central ou militantes activos. A China será no futuro a 1.ª potência mundial. 
E o Ministro – Professor?
Mantêm intocável o regime comunista, não democrático. Apenas existe um partido. O Comunista. Que se confunde com o próprio Estado. Não “abrem mão” do Tibete, Pátria do Dalai Lama e da Formosa. Os direitos e liberdades, são diariamente violados. E são os protectores do regime da Coreia do Norte. É a “real politik”, como tão bem gostam de sublinhar as diversas chancelarias. Já detêm várias participações estratégicas nas energias e no imobiliário. Aprenderam muito com a tentativa falhada do Gorbachev de democratizar a sua Rússia. 
Será que se pode aplicar, hoje, o velho aforismo popular? “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”? Talvez sim, talvez não.
Será que as afirmações, como as atrás proferidas, seriam impensadas, serem reproduzidas, no contexto actual? Fica a questão.
  A República Popular da China e o Reino da Arábia Saudita, entre outras nações, têm sido habilmente afastadas de qualquer crítica em relação aos princípios democráticos, das liberdades e respeito dos direitos humanos, que se sabe, continuam a não ser cumpridos nesses países.
Contudo, ao invés, condena-se peremptoriamente, a ausência desses valores, na Venezuela, em Cuba, no Irão… A Coreia do Norte, costuma vir logo a seguir, mas será que “o efeito Trump”, já a retirou da lista do chamado “eixo do mal”?
Os chineses “das lojas”! Lembram-se? As lojas dos chineses? Quando para cá vieram, foi cá uma confusão. 
Sejam bem vindos. Melhor do que ninguém os chineses sabem das potencialidades dos Açores. É a sua velha sabedoria e proverbial paciência. Pode ser que a rota, não fique apenas por Sines, e venha até à Praia da Vitória.
A resposta é evidente: “negócios” e o incontornável “dinheiro” (nas suas múltiplas formas) , ou se quiserem, os inquestionáveis “mercados”.
A táctica dos chineses é simples, se não se podem derrubar os regimes de economias de mercado e capitalistas, o mais indicado é a aquisição das suas respectivas empresas, de preferência as estratégicas.
Apenas uma nota: a corrupção, a fuga aos impostos, via paraísos fiscais, mesmo que legais, são crimes. Na China, os presidentes das empresas, todas estatais, são membros responsáveis do Partido Comunista Chinês. Existem milionários? Sim. Mas sob controlo e escrutínio permanentes. Porque a “nomenclatura” sabe, da existência de biliões de “camaradas” que ainda recebem o salário mínimo, cerca de dez vezes menos do que o praticado no vizinho Japão. Não esqueceram a “revolução cultural “ e o célebre livrinho de Mao é ensinado nas escolas.
 Embora “comunistas”, os chineses têm cá um jeito para o negócio. Meus caros, têm ou não têm? Porque não aprender com eles? Como se vá dizendo por aí, em alguns meios, os socialismos só geram miséria, e como os chineses têm cá um jeito para comprarem empresas capitalistas, que geridas por socialistas, estão em dificuldades, porque não aprender com quem sabe? Então, como designar o regime chinês? Têm a palavra os cientistas políticos?
Apesar de todas as contradições, a Democracia vale. Na China, este testemunho seria impensável, com ou sem rota da seda. É a vida. Cai na real, meu. Não sejas ingénuo. Andam todos à procurar do mesmo. Embora frases retiradas dum contexto vernáculo, não deixam de espelhar a realidade. 
 

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Categorias: Opinião

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