26 de maio de 2019

Grandiosas festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres

A fé opera pela caridade


Ter fé é acreditar que algo é verdade e agir de acordo com essa crença.
A Fé, a par da Esperança e da Caridade, é uma das virtudes teologais, ensinando-nos o Catecismo ser a Fé a virtude pela qual cremos em Deus e em tudo o que o Seu Filho nos disse, propondo-nos a Igreja a crermos nesta virtude, porque Ele é a própria verdade, tendo S. Paulo afirmado que “o justo viverá da fé” e que “a fé viva age pela caridade”.
A nossa fé no Senhor Santo Cristo dos Milagres – a fé no Senhor nosso Deus e no Seu Filho feito homem – baseia-se nos ensinamentos transmitidos por Cristo e pelos Seus discípulos, do que a Bíblia é repositório. Segundo as Escrituras, para ser aceitável a Deus é necessário exercer a fé no Seu Filho o que, tornando efectiva a nossa crença, torna também possível obter uma condição justa perante o Pai.
Ter fé é, afinal, acreditar em coisas que se esperam e ter convicção de factos que não se vêem, independentemente daquilo que ouvimos ou vemos (Hebreus, 11.1).

A FÉ OPERA PELA CARIDADE

Sem fé, é impossível agradar a Deus, pois “é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é galardoador dos que O buscam” (Hebreus, 11.6) e, para quem deseja manter a sua fé viva, é necessário que a pratique, pois “assim como o espírito sem corpo está morto, assim também a fé sem obras é obra morta” (Tiago, 2-26). Daí que o crente procure conhecer e fazer a vontade de Deus, porque “a fé opera pela caridade” (Gálatas 5,6).
A fé é, em primeiro lugar, uma adesão pessoal do homem a Deus, daquele que não tem dúvidas de que pela fé nos salvamos.
É pela obediência da fé a Cristo – ao ECCE HOMO –que conseguimos dar respostas a Deus. Mesmo sem ver, cremos, pois o próprio Jesus disse, perante as reticências de Tomé:  “Felizes aqueles que creem sem ter visto”!

SER OU NÃO CRENTE É
 UMA OPÇÃO DE VIDA

Para se ter e alimentar a fé é pressuposto e necessário cumprir algumas exigências. Ser crente não é a mesma coisa que não o ser, pois não se pode amar a dois senhores ao mesmo tempo. Não se pode ser ateu, “graças a Deus”.
Ninguém nos obriga a sermos crentes. Sê-lo, é uma opção de vida de cada. E,mais direi, o simples afirmarmo-nos como crentes não é condição “sine qua non”, por si só, para sermos felizes e para alcançarmos o descanso eterno. Mas, ao afirmarmo-nos como pessoas de fé, temos a estricta obrigação e o indeclinável dever de reconhecermos o “outro” como irmão em Cristo e, a todos, como filhos do mesmo Deus Pai.
Para aquele sem fé, nenhuma explicação é possível, tal como, para alguém que tenha fé, nenhuma explicação é necessária, com pregava S. Tomás de Aquino.

O MEU CAMINHO, A MINHA FÉ

Infelizmente vemos, neste mundo “sui generis” que, sem o querer, ajudámos a construir, cada vez mais pessoas, talvez pensando que isso as minimiza, que as ridiculariza, que lhes fecha oportunidades, que as ostraciza, que parecem envergonhar-se e esconder a sua matriz cristã, a sua índole de crente, a sua vertente da fé.
Mas, graças a Deus, ainda há gente muito pública que se recusa a alinhar nesta onda modernista que soa a falsete. Dou um exemplo concreto. Num dos recentes programas televisivos da tarde, da responsabilidade da consagrada “entretainer” da SIC, Fátima Lopes, ficámos a saber que, nascida a 13 de Maio, comemora agora o seu 50º aniversário, precisamente quando chegam ao fim as comemorações dos 100 anos das primeiras aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos, na Cova da Iria, ela aproveitou a efeméride para lançar um livro a que atribui muita importância, sobretudo pelo significado que o que nele narra representa na sua vida, intitulado: “O MEU CAMINHO, A MINHA FÉ”. Nestes tempos que correm, em que os valores e princípios herdados dos nossos pais parecem não se adequar nem ter lugar na cultura dominante, nos círculos sociais, nem em ambientes de trabalho mais sofisticados, é reconfortante registar ainda haver pessoas, com imagem feita e percursos consolidados que, sem rebuço e com frontalidade, ainda se dizem, se afirmam e se comportam como pessoas de fé.

A FORÇA SALVÍFICA DA FÉ…

Estamos na tarde deste dia 21 de Maio. Interrompi aqui a elaboração deste texto para ir lanchar. Na cozinha, enquanto preparava qualquer coisa para debicar, abri a TV no canal 1 para não me sentir sozinho. Estava no programa da Tânia Ribas de Oliveira, no momento em que apresentava o seu convidado, Pedro Castro. Um homem com uma personalidade espantosa, com um percurso de via daqueles que não deixam quem quer que seja indiferente nem insensível. Nascido numa família respeitada e trabalhadora, com três irmãos, terminou a Telescola sem nunca se ter conseguido encontrar com a vida. Não conseguia lobrigar razões nem forças que o levassem a ter uma vida realizada e feliz. Aos 13 anos entrou no álcool, depois em drogas leves, não tardando a afundar-se no vício de que não conseguia sair, destruindo a vida dos pais, limitando o futuro dos irmãos e, sempre, em busca de algo que o salvasse, que enchesse o vazio profundo do buraco negro que lhe retirava sentido à vida, que lhe desse razões para viver e ser feliz. Até teve empregos, foi trabalhador de sucesso, mas não aguentava o vazio profundo que lhe enchia a alma, que não lhe permitia ser feliz, o qual colmatava com o afundamento nas drogas. Já casado, tendo passado, sem sucesso, por centros de recuperação em Portugal e em Espanha, o pai contraiu um empréstimo para lhe pagar o avião para o Brasil na esperança de uma recuperação anunciada, mas o tal vazio era tão grande que nem sequer conseguiu desembarcar, regressando no mesmo avião a Portugal.

… AO DISPOR DOS QUE A DESCOBREM!

Mas o destino trocou-lhe as voltas. Ou acertou-lhe o azimute… Com mais um endividamento do pai e já com duas filhas, vai tentar a reabilitação num centro de recuperação a Inglaterra. Ia descrente e triste, tanto pelos desgostos que dava à família como pelo peso económico com a sobrecarregava e, pior ainda, sem qualquer convicção ou sequer esperança alguma quanto à possibilidade da fuga à drogas.
Subiu as escadas do prédio e entrou na sala de recepção daquele Centro de recuperação inglês. Nada lhe despertava o interesse, nada o tirava da letargia que vivia, do buraco negro que sentia lá dentro. De repente, olhando para uma das paredes da sala deteve-se ocasionalmente num quadro com os seguintes dizeres: “HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA TUA VIDA”. Releu uma vez e outra. No tempo que permaneceu em Inglaterra nunca mais pegou em drogas. E, mais curioso, disse que nunca mais delas sentiu falta. 
Pouco tempo depois, voltou para Portugal e para a família, já lá vão trinta anos. Com a mulher e as duas filhas aprenderam a viver uma vida que não conheciam. Sempre que pode e lho solicitam fala da sua experiência em instituições, escolas e organizações ligadas ao combate às toxicodependências.
Neste programa de televisão, teve a surpresa de ver irromper no auditório a sua filha Diana e o marido, ele a tocar e ela a cantar a melodia “ESTE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DAS NOSSAS VIDAS”. (Diana teve presença notável num recente programa de captação de novos valores, na SIC). 

OS MILAGRES ESTÃO NO NOSSO CAMINHO

Tânia ainda perguntou a Pedro Castro se encontrava razão para que aquela frase tivesse modificado radicalmente a sua vida. E ele, com naturalidade, respondeu-lhe: “FOI A FÉ”! E explicou como foi de facto a FÉ que lhe encheu o vazio do buraco negro que nunca havia conseguido tapar na vida. Foi um momento muito emotivo, que valeu por mil lições, um momento tão sentido que dificilmente até o mais insensível terá ficado sem uma lágrima no olho. FOI A FÉ! A fé que torna possível o impossível, a fé que move montanhas, a fé que faz forte a fraca gente.
Estimo que todos os devotos que, no Campo Santo ou à distância, por estes dias elevam as suas preces ao Senhor Santo Cristo, bendigam a oportunidades que as festas nos dão de estarmos visualmente mais próximos d’Ele e junto d’Ele intercedam para que as manifestações de religiosidade que o evento encerra continuem a ser também um sincero e inestimável alfobre de FÉ para todos quantos, de uma forma ou de outra, nele participam.

D. MANUEL AFONSO DE CARVALHO
- O BISPO IGNORADO

Não menosprezemos nem esqueçamos o impacto das festas na propagação da fé cristã e naprojecção religiosa, cultural, turística e económica de S. Miguel e dos Açores no seu todo, perseverando no desiderato de continuarmos a fazer desta a religosaFesta Maior da Região.E não nos esqueçamos do imprescindível contributo que o Senhor Santo Cristo e as Suas festas tiveram para a construção, manutenção e funcionamento do extinto Seminário Menor de Ponta Delgada, onde tantos e tantos jovens das nossa ilhas tiveram oportunidade de se fazer para a vida  como trabalhadores, como cristãos e como homens. O mentor e grande entusiasta deste projecto de dimensão maior foi o Bispo D. Manuel Afonso de Carvalho, que viu neste estabelecimento católico de ensino uma instituição privilegiada para, directa ouindirectamente, fomentar e alimentar, no coração dos açorianos, precisamente o culto da fé cristã.
E,sem esquecer… porventura… que talvez seja chegada a hora de a Igreja micaelense e, sobretudo, dos que, na matéria, têm responsabilidades e competência para intervir, saldarem uma dívida antiga, metendo as mãos na consciência e reflectirem sobre a dimensão de uma homenagem devida, e em aberto, para com D. Manuel Afonso de Carvalho que, por Decreto Diocesano de 28 de Abril de 1958, elevou a Igreja do Senhor Santo Cristo a Santuário Diocesano, o que mais valor tem pelo facto de ter sido o primeiro Santuário dos Açores, para o qual nomeou, como seu primeiro Reitor, Monsenhor José Gomes.

José Nunes

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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