Penso ser necessário lembrar, que foi a partir dos conflictos inerentes à primeira guerra que a Europa percebeu a necessidade de angariar algum equilíbrio, fundamentado numa unidade factual, para evitar um novo conflicto. Ora, assim perante os perigos que ameaçavam a paz nas nações, a velha ideia de unidade europeia deixou de ser uma utopia de intelectuais, para passar a ser um objectivo político. Após a segunda guerra mundial, a posição dos estados sobre uma União Europeia pareceu já não ser a mesma, nem tão entusiasmada como tinha sido em relação à primeira grande guerra. Muito particularmente a de Portugal. Mas, sobre esta matéria, muitas dúvidas existem por esclarecer, muitas interrogações a fazer à abundante documentação diplomática disponível que, entretanto, por qualquer razão desconhecida (?) não tem sido investigada e estudada pelos historiadores e sociólogos. Porém, o que foi bem evidente é que a UE claramente adoptou há anos atrás uma política conhecida como “Europa fortificada”, que visou construir barreiras que impedissem a chegada de migrantes ao continente, como um muito recente deslocamento de frotas da OTAN para interceptar barcos com refugiados tentando chegar à Grécia pelo Mar Egeu e enviá-los de volta à Turquia. Por sua vez, legislações nacionais como a dinamarquesa, aumentam as tensões na UE, tendo impulsionado políticas que rebaixaram os padrões de protecção a pessoas fugindo de conflictos e perseguições. Este tipo de desunião interna ameaça ainda a zona de Schengen, que é uma área sem domínio de fronteiras ou conferição de passaportes na UE. E a pressão de um eventual colapso desta zona está sendo imposta quase unicamente na Grécia, por onde mais de 90 mil refugiados entraram no continente em 2016. A Grécia é acusada de “negligenciar seriamente” a sua obrigação de controlar a fronteira externa da zona e ainda não conseguiu corrigir as falhas que a coloca na posição crítica de ser suspensa do espaço Schengen. Enfim, e agora o fenómeno do Brexit, que é a preocupante saída do Reino Unido da União Europeia. E pelo meio desta fragmentação interna, a UE parece esquecer alguns mecanismos internos que poderão ajudá-la a enfrentar a crise dos refugiados. Enfim... sobre este assunto e dos perigos nele inerentes havia muito a divulgar!
Em suma, a eclosão das tensões sociais e dos problemas de integração alastraram-se pela Europa. As reformas e redução dos gastos públicos propostas pela União Europeia afectam a qualidade de vida em diferentes países e mudam as relações laborais, além da prestação de serviços públicos. E voltando aos problemas de integração bem evidenciados, tanto pelas políticas adoptadas em relação aos novos imigrantes quanto ao impacto das mesmas nas comunidades já existentes, sentimos uma sensação de insegurança e desalento. Especialmente a questão do terrorismo reforça os problemas de integração, principalmente da comunidade islâmica. O desemprego gerou tensões sociais entre os nativos e os imigrantes devido à competição entre ambos os grupos. E isso, reflectindo-se num aumento dos partidos de ultra-direita e xenofóbicos. Por último, as tensões nacionalistas ganharam fôlego em países que enfrentam problemas económicos ou de governo como no caso da Catalunha. Ora, como podem verificar tanta coisa virá por aí muito em breve. O que se quer constatar é como será a força real dos “governos” para ultrapassar as mais diversas crises inventadas pela própria convulsão de identidade. De facto, a Europa, ou melhor, o Parlamento Europeu, deve repensar e mudar o seu discurso… analisar friamente a nova composição mundial e se realinhar com essa nova realidade ou readequar-se à mesma. Caso contrário, a meu ver, seguirá sendo um continente envelhecido, com diversos problemas culturais, intolerante, assimétrico economicamente, com elevado desemprego e endividamento público estratosférico… Ingredientes estes… que sempre de uma forma ou outra… EXPLODEM ou IMPLODEM!