27 de abril de 2019

A minha homenagem a João de Brito Zeferino

Quis o destino que o João partisse para o seu eterno descanso no dia 25 de Abril, aos 75 anos, vítima de doença prolongada. Conhecemo-nos quando eu tinha 13 anos e o João era treinador da Selecção de Basquetebol de São Miguel e fomos disputar um torneio inter-seleções, ao Faial. As coisas não correram bem, perdemos os dois jogos com a Terceira e o Faial, mas nem isso tirou ao João o seu “Fair-Play” de incutir a jovens que se iniciavam na modalidade o espírito de sacrifico, de luta e de trabalho para melhorarmos o nosso jogo e alcançarmos os nossos objectivos. Depois cruzamo-nos nas lides do jornalismo desportivo, e colaboramos no projecto do Jornal do Desporto e na então RDP/Açores, da qual ele era o mais antigo colaborador, quando eu coordenava o automobilismo. E aqui tenho uma história com ele, que em jeito de homenagem, gostaria de partilhar com os nossos leitores.
 Num Rally de Inverno, ele foi para o final dos Remédios/Portões Vermelhos e no regresso a Ponta Delgada a Renault 4 pregou-lhe uma partida e não pegou. Tiveram que o empurrar e quando ele chegou ao estúdio estava furioso e disse-me que se acontecesse mais uma vez ficar avariado, eu é que o iria rebocar. O Rally seguinte foi odas Festas da Cidade, perto das Festas do Senhor Santo Cristo. Falei com o Luís Rego, e a Ilha Verde emprestou os carros para fazer a cobertura da prova. Perto do Rally o Luís Rego disse-me que só conseguiria disponibilizar carros automáticos, uns Ford Sierra que tinha ao serviço da rent-a-car. Quando o João chegou para ir levantar o carro, disse-me logo que queria um carro bom. Eu indiquei lhe a viatura que lhe estava destinada e disse -lhe que tinha experimentado, e que tinha pedido ao mecânico da Ilha Verde para afinar a embraiagem porque estava muito macia. Deixe-lhe a chave e escondi-me, com mais outros colaboradore,s no jardim do “velho estúdio”, quando vejo o João a entrar no carro a fazer força no pé esquerdo e começa aos gritos a dizer: “Luís, levaram a embraiagem, tiraram a embraiagem de vez. E agora como é que faço?”. Eu comecei a rir desmesuradamente e disse-lhe que o carro era automático. Ele, muito atrapalhado, respondeu que não sabia conduzir carros automáticos” e fui dar uma volta com ele para explicar como funcionava e aí ficou mais calmo. No caminho fui, sempre a rir, e ele só me dizia “vais pagar”. 
Na segunda – feira seguinte, com a anuência do José Silva, publiquei uma foto-montagem do João de Brito ao lado do Ford Sierra a dizer que lhe tinham “Roubado” a embraiagem. Ele ficou furioso, pois os seus amigos, e tinha muitos, metiam-se com ele. 
Um dia encontrei o Carlos Decq Mota e ele disse-me que tinha ouvido a partida que tinha feito ao João de Brito, e que tinha achado imensa piada. Perguntei-lhe como tinha sabido e ele explicou-me que num programa que o António Xavier fazia na RDP/Açores à noite, havia a rubrica “ As histórias do João”, onde o João de Brito, julgo que semanalmente, contava as “Suas “ histórias de vida e partilhou com os ouvintes este episódio. Quando estive anteontem no velório a cumprimentar a família, falei ao seu filho Rui, e disse – lhe que ia fazer uma pequena homenagem ao seu pai partilhando este episódio com os nossos leitores. O Rui disse-me que sabia, e que o pai tinha o Jornal do Desporto guardado com o recordação, assim como o arquivo de todas as crónicas que escreveu, num autentico compêndio de vida, de historia e de recordações, que seria de todo o interesse a família disponibilizar e partilhar com a própria sociedade. Podia ser um bom acervo para o Museu da Comunicação Social !
O João era um comunicador, foi na comunicação social um “auto- didata”, que marcou o seu tempo e a sua época. A historia vai recordá-lo acima de tudo pela sua dedicação, a sua preocupação em fazer mais e melhor pelo desporto e pelo jornalismo desportivo nos Açores. Deixa uma imagem de marca: a sua simplicidade! Descansa em paz, João de Brito. Paz à tua alma.                 

LGP
 

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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