10 de março de 2019

Recados com amor...

Meus queridos! Mais uma vez o Dia da Mulher foi celebrado um pouco por toda a parte e de maneira diferente, consoante as circunstâncias. O que interessa é marcar a data como sendo sempre mais um passo no difícil caminho da igualdade entre todos os seres humanos. Gostei muito da forma como na cidade de Ponta Delgada a Câmara do meu querido Presidente Bolieiro homenageou uma notável galeria de senhoras que se distinguiram ao longo dos anos e que ainda hoje se distinguem, todas elas com diferentes profissões, e algumas até emparceirando em iniciativas e profissões que, geralmente, eram exercidas por homens. Sem querer descriminar nenhuma das homenageadas, refiro a minha querida sempre sorridente e activa Fátima Pacheco de Madeiros, que, para além de empresária, foi pioneira como piloto de ralis, como li na interessante entrevista publicada no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. Uma mulher destemida, mas com um grande coração. É que isso de luta pelos direitos não é propriedade de ninguém e quem defende igualdade deve pensar que liberdade é mesmo liberdade. É que hoje, em nome da liberdade, há gente que não tolera quem pensa diferente. E eu sei que há mulheres que sabem o que isso é… Para todas as homenageadas aqui vai o meu ternurento beijinho pela percurso de cada uma e pelo facto de saberem ser mulheres sem peias e sem preconceitos!


Ricos! Fiquei comovida ao ler no velhinho e sempre renovado Diário dos Açores, o artigo de memórias assinado pelo meu querido e sempre estimado Professor Rubens Pavão, sobre o emblemático café Figueiredo, do Largo 2 de Março, que agora desaparece, pondo fim a quase cem anos de referência e de muitos encontros. Toda a gente sabe que o Largo 2 de Março, de ponto nobre da cidade, transformou-se numa verdadeira chaga social a ponto de muita gente até ter medo de lá passar. A minha prima Teresinha, que era uma assídua frequentadora da tertúlia que diariamente lá se juntava, diz que talvez as coisas pudessem ter mudado, se em vez dos agentes da segurança social ficarem sentados nos gabinetes… formassem equipas de apoio e dissuasão espalhadas pelos lugares sinalizados, como era e ainda é, o Largo 2 de Março…. Apesar disso tudo, o Café Figueiredo ficará na memória de quem o frequentou. Muitas vezes, aos Sábados lá parava eu, depois de entregar os meus recadinhos ao meu querido director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. E já começo a pensar onde irá agora reunir a velha e conhecida tertúlia do Figueiredo que ali abancava para discutir política e firmar amizades. As cidades evoluem, mas as memórias ficam, às vezes com as feridas da saudade…, como acontece com as tertúlias do antigo Lis, do Gil ou do Mimo, todas pertencentes à história recente do Burgo do Arcanjo São Miguel…


Meus queridos! Passou o Carnaval e já estamos em plena Quaresma e ontem mesmo já começamos a ouvir o som das ave-Marias dos Romeiros, pelas estradas da Ilha. Os bailes de Carnaval no Coliseu foram de casa cheia e, diz quem lá esteve, que animação não faltou no meio de boa música e muita fartura de “secos e molhados”, nas bem decoradas cestas. Disse-me a minha sobrinha neta que viu na página da internet do Coliseu a lista de coisas perdidas pelas pessoas durante os bailes e que lá aguardam que os seus donos as vão buscar. Houve quem lá deixasse os óculos, a faixa do vestido, as carteiras e malas e não sei mais quê. Até deve ter havido quem saiu do baile descalça, porque na lista até constam sapatos de senhora… a não ser que tenha levado chinelos de enfiar no dedo, dentro da mala… Como diz a minha sobrinha-neta, pelos despojos se conhece a batalha!


Ricos! E, como sempre, em Ponta Delgada, o carnaval terminou com a ferrenha batalha de água que levou muitas centenas de foliões à Avenida numa luta que termina sempre com um abraço e animado convívio, terminadas as “hostilidades” carnavalescas. E mais uma vez, agora com a febre das redes sociais, aparecem os grandes defensores do ambiente a verberar o uso dos plásticos e o desperdício da água, como se fosse o fim do mundo para o planeta. Poucas horas depois da batalha, já estava toda a avenida e adjacentes completamente limpas e no mar, que agora até está bem mais longe, nem um saquinho plástico flutuava. E aos que dizem que quem participa na batalha é que devia ir limpar, apetece perguntar se eles quando vão às festas e arraiais, seja Santo Cristo, Impérios, touradas, festivais de cerveja e outras coisas na mão,…são eles que limpam no dia a seguir… Nessas coisas, nada melhor do que deixar as tradições em paz e não se arvorarem em falsos moralistas em casa alheia…


Ricos: Ainda a propósito do Carnaval e da batalha das limas, a minha comadre Amelinha mandou-me um recadinho indignada com a barafunda que vai para aí com as réstias dos sacos plásticos da batalha de água que todos os anos se realiza na Avenida Infante D. Henrique, no dia do entrudo. Diz ela que não é mulher de se meter em polémicas, mas quererem acabar com uma tradição é coisa que não leva à paciência e acrescenta ainda:  Não gosto do 8, nem do oitenta, prefiro ficar pelo meio-termo e compete à Câmara de Ponta Delgada fazer a sua função que é limpar imediatamente e convenientemente toda a avenida, para que não fique conspurcada e acalme os amigos do ambiente. Mas colocar aquela tradição nas bocas do mundo, como escândalo nacional é coisa de portugaleses que andam por aí a esmo e julgam-se donos disto tudo... Sou contra os radicalismos, sejam eles de um lado ou do outro, pois os extremismos não levam a lado nenhum. Haja bom senso, porque os plásticos gastos na batalha de limas da Avenida Infante D. Henrique depois de recolhidos serão reciclados como os demais… Tenham tino e não sejam mais papistas do que o Papa… como se dizia antigamente, quando os Papas valiam ouro incenso e mirra…


Ricos: A minha amiga Amelinha telefonou-me esbaforida, a pedir-me que eu daqui mande um recadinho com a sua indignação, por ter visto um casal novinho, ao passar com o seu “pópó” topo de gama, a alta velocidade, junto do Chocolatinho, ter aberto o vidro e atirado borda-fora uma fralda de bebé, bem embrulhadinha e que ainda lá se encontra no passeio, para quem quiser comprovar. Bem fez o Papa Francisco ao acrescentar a 15ª Obra da Misericórdia, que é o respeito pela natureza e que nesta quaresma deveria ser tido como uma forma de jejum e abstinência. Ela ficou tão embasbacada, que nem tempo teve para tirar a matrícula, mas deixa a pergunta: onde irá parar este mundo em que alguns jovens com tanta internet, nem conseguem ter consciência ecológica, desprezando este mundo que nos foi emprestado? Tenham dó. 


Ricos! Já tenho medo de ouvir o super activo Presidente Marcelo falar. É que o Homem tem palavra para tudo e para todas as ocasiões. Até elogia o Oniris dos telemóveis que vai a Israel defender a “música portuguesa” e ainda é capaz de condecorar o rapaz. Condena a violência doméstica e atira-se ao Juiz Neto quando devia esperar que a Justiça seguisse o seu caminho e não enveredar pelo caminho da condenação antecipada seja de quem for. E tudo isto em Angola, depois do Estado português ter pedido desculpas formais pelo que se passou no Bairro da Jamaica, também antes dos tribunais terem julgado se houve ou não força exagerada por parte dos polícias. Como diz a minha prima Teresinha, perante isto tudo razão têm os polícias em arrumar o cassetete e fingir que nada vêem na rua…


Meus queridos! Ainda não percebi bem a polémica que vai nos bastidores de alguns bancos e que começa a ser notícia quando se descobre que são os próprios bancos a pagar as multas ou coimas impostas aos gestores pelas asneiras e má gestão no desempenho das suas funções. Eu já estou a ver se a moda pega, e daqui a pouco teremos uma chuva de reclamações a cair nas empresas pedindo que elas paguem as multas devidas a erros dos seus trabalhadores. É por essas e por outras que vai desaparecendo a cultura da responsabilidade, porque, como se costuma dizer, não custa nada fazer favores com aquilo que não é nosso e, com a crise de responsabilidade, como quem paga é o patrão, deixa andar e quem vier atrás que feche a porta! Só espero que o Governo, não se lembre… numa de ganhar mais uns votos anunciar… que vai alterar o Código do Trabalho para permitir às empresas arcar com as multas que advêem do desempenho dos responsáveis que nelas laboram… Como dizia a saudosa Ivone Silva e Camilo Oliveira … Está tudo grosso!.. Está tudo Grosso!... 


Meus queridos! Pode parecer mentira mas é a pura da verdade. Uma pequenina encomenda colocada nos Correios, numa estação do rectângulo, no dia 19 de Fevereiro, com destino a Ponta Delgada, ainda não chegou ao seu destino, já lá vão três semanas. E o pior é que os CTT mandaram um aviso mail ao destinatário a dizer que ia ser entregue no dia 4 de Março… mas de lá para cá nem carta nem mandato… e a todas as reclamações os correios respondem com um mail proforma a dizer que estamos a estudar e entraremos em contacto quando possível. Os casos iguais são aos milhares, e o poder político anda com paninhos de água quente para ficar bem com Deus e com o diabo, sabendo que os CTT estão a infringir descaradamente tudo quanto ficou escrito no contrato de privatização, e que por isso mesmo já devia ter sido revertido…


Ricos! Contou-me o meu Director que ainda na semana que se passou, recebeu um telefonema de uma pessoa que tinha mandado há dois meses antes de vir a São Miguel passar férias, uma encomenda dos States contendo os comprimidos que toma de acordo com a prescrição médica para usar cá durante a sua estadia… seguiu via informática o trajecto da encomenda, que se continua encalhada num armazém dos CTTs e as férias já acabaram, o destinatário da encomenda já regressou à América, reclama agora pela devolução da encomenda…. e nada de novo… É só ver como andam os serviços postais…, isto para já não falar na distribuição de jornais ou revistas que levam três ou quatro dias para circularem de uma ilha para a outra. É obra!

Print
Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

Tags:

x
Revista Pub açorianissima