É por demais notório que em Portugal a maior parte dos indivíduos vivem numa repulsa constante, vazia, histérica e contraditória. A propósito quero lembrar que já dizia Francisco Sá Carneiro (1978), que os portugueses “vivem num país de inutilidade pública, inutilidade pública que custa caríssimo e que afinal, agora, querem que continue a proliferar, obrigando os particulares a suportar todo o peso da crise económica”. Também, no mesmo intento, refiro que infelizmente vive-se numa sociedade viciada em Estado, sob o peso de uma cultura de desigualdade e desonestidade institucionalizada. De facto, com total franqueza digo que a presença excessiva do Estado gera uma cultura de compadrio e favorecimento que está por trás do familiar loteamento de cargos públicos bem como de tantos outros empenhos esconsos e arrepiantes. Entretanto, vivemos em Portugal rodeados pelas mais diversas instituições, corporações, associações e entidades públicas e privadas que se apresentam para melhor amparar as populações a evoluir e a prosperar. Porém, com tanta instituição manifesta, profissional, religiosa e semi-religiosa cada vez mais se verificam desigualdades e divisões, classes e hierarquias, que ditam a ausência sistémica de uma verdadeira adesão e apropriada coesão salutares que muito auxiliariam os indivíduos a serem mais úteis ao País. Afinal, vivemos todos num país envolvido no imenso turbilhão das redes sociais, sempre a gritarem para ser alimentadas, pelo que as estimativas apontam para 500 milhões de “tweets” por dia, 30 mil milhões de “posts” no Facebook por mês, 300 horas de vídeos carregados para o “YouTube”, a cada segundo. O pior é que num instante qualquer disparate pode tornar-se popular nos “facebooks” da nossa vida. Depois há quem não resista a brincar sobre esta mania de carpirem, com propagação, infortúnios e falecimentos e, pelo meio, o adejar de milhares de figurinhas angelicais por entre luzinhas cintilando e florinhas plasmadas na eterna psicose do impessoal e bizarro. Além disso, sendo também sincero, quero aqui referir que até parece que hoje em dia já vale a pena ser animal, pois lavam-lhe os dentes, pegam neles ao colo, festejam os aninhos deles, dormem na cama com a patroa ou patrão, e se fizerem mal a um animal vão presos ou apanham grandes multas... Enfim, vale mesmo a pena ser animal nestes tempos que correm... No entanto, para vergonha e desconcerto, sem nenhum alarido, ou melhor, sem pestanejar, abortam, chacinam recém-nascidos, molestam os velhos ou abandonam-nos em morgues prematuras, abusam sexualmente das crianças, querem legalizar a pedofilia, roubam as crianças para o tráfico de órgãos, e o que é que a justiça faz? NADA!
Enquanto tudo isso, parece que muita gente vive num excesso de “burguesia”, excesso de conforto, excesso de dinheiro, excesso de tempo livre, excesso de mediatismo; enfim, excesso de excesso. Todavia, todos esses excessos têm uma causa: a falta de algo! E esse ALGO é a falta de Identidade, a falta de amor próprio, a falta de consternação, a falta de perseverança, a falta de trabalhar e produzir utilmente, a falta de percepção “do BELO”, a falta de respeito pelo passado, a falta de nobreza e sacrifício e, nomeadamente, a falta de oposição de quem não concorda com este estado da “arte”, ou melhor, de artifícios em Portugal!
Em suma, e em jeito de remate, refiro que uma informação – seja ela qual for -, portanto, falsa ou mal interpretada, pode acabar em grande confusão e discórdia. Efectivamente vivemos numa época de palhaçada absoluta, crua pela sua natureza humana bárbara que melhor serviu mais este carnaval que passou e convirá a todos os que virão!
AFINAL, os portugueses parecem estar alheios às histórias para lá das “selfies” e dos afectos oferecidos em ramalhetes pelo presidente da república!