24 de fevereiro de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Com pompa e circunstância, depois de se conhecer o chamado ranking das escolas, que continua a ser uma dor de cabeça na Região, o meu querido Secretário Regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, anunciou um poderio de novidades, falando de novas matrizes curriculares, que segundo me parece significa alterar o que está em vigor… desde a aprendizagem do Inglês, que vai continuar obrigatória  e vai pesar na passagem de ano . Além disso, foi anunciado que vai ser  “recriada” a disciplina de Cidadania, com um acrescento de Desenvolvimento”. Não foi a introdução das novas Tecnologias da Informação e Comunicação... e foi repisado o ensino da História, da Geografia e da Cultura dos Açores como disciplina própria, mas sempre sujeita a uma avaliação qualitativa não considerada para efeitos de progressão… Não é desta ainda que se torna obrigatório o ensino da História, Geografia e Cultura dos Açores, quando os alunos têm de conhecer os historiadores nacionais, a Geografia e a Cultura  portuguesa de forma obrigatória. Foi pena o meu querido Secretário Avelino Meneses não ter deixado um espacinho no rol das novidades para incluir na disciplina de Cidadania a leitura de jornais e revistas, que tanto bem fariam aos alunos para apurar a sua literacia, em vez de se ficarem apenas pelo mundo efémero da informação e da comunicação fornecida pelas novas tecnologias… Sem querer puxar a sardinha para o lado dos jornais, porque apenas sou uma prestante colaboradora de fim-de-semana, e porque não pedi permissão ao Director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seio para fazer semelhante sugestão, atrevo-me a dizer que talvez ainda haja tempo para o meu querido Secretário da Educação, como medida…, criar nas escolas uma rede de leitura de jornais e revistas, que mesmo com as limitações que se reconhece à imprensa regional, são sem duvida, um instrumento de cidadania, de cultura e informação regional, que é tão necessária aos alunos das nossas ilhas… A ver vamos!...


Ricos! Depois de ter dito o que disse sobre os utentes que jaziam no Hospital com alta dada, ocupando as camas da cirurgia e entupindo as cirurgias programadas dos doentes do Divino Espírito Santo, eis que surge a boa nova… sendo anunciado que vão ser criadas mais 111 vagas para acolher idosos nos Açores: 41 na Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, 16 no Lar Luís Soares de Sousa, 30 na Casa do Povo dos Arrifes, 10 vagas na Santa Casa da Misericórdia da Lagoa, 6 na Casa de Repouso João Inácio de Sousa, em São Jorge, 4 na Santa Casa da Misericórdia da Madalena do Pico e 4 na Santa Casa da Misericórdia do Corvo. Para as novas 111 camas, o Governo prevê investir 10 milhões de euros, e a minha prima Ernestina telefonou-me dizendo que a sobrinha neta tinha feito umas contas e disse-lhe que a ser aplicado aquele montante na construção para as 111 vagas, isso representa um investimento de 90 mil euros por lugar, o que dá para construir um T1 com sala cozinha, casa de banho e afins… Sendo isso real, diz Ernestina que razão têm as IPSS em reclamar novos tabelas para os acordos de cooperação, porque os gastos para manter um serviço de acordo com as regras impostas nos regulamentos, custa um  poderio de dinheiro… Juro que com o envelhecimento da população e com a solidão de muitos idosos… não sei onde isso irá parar!

Meus Queridos! A minha prima Zézinha, nascida e criada no Vale das Furnas mandou-me um email dando conta da sua visita à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, dizendo que se o quisesse partilhar com os meus queridos leitores poderia fazê-lo à vontade. Como sou uma apaixonada pela Natureza, aqui vai o relato da minha prima sobre a visita que fez à Biblioteca Publica de Ponta Delgada: Ontem ao fim da tarde fui ver a Exposição sobre Plantas e Jardins, e como sabes, desde criança que gosto de mexer na terra e do cheiro das flores e, sendo assim, não podia perder aquele evento. Olha! Não dei o meu tempo como perdido, já que o que vi encheu-me a vista, a alma e o coração de açoriana. Está lá em força uma parte muito importante da História dos Açores, particularmente do século XIX, e como alguns de nós soube construir jardins nesta ilha do melhor que existem por este mundo fora. Esta Exposição foi coordenada pela Isabel Soares de Albergaria, que à frente de uma grande equipa realizou aquela maravilha, e que devia ser visitada em força pelos açorianos e pelas escolas.
Com aquela amizade profunda da tua prima Maria do Vale e num dia de temporal.

Ricos: A turma do curso Reactivar “Empregado de Restaurante Bar”, da Escola Profissional da Ribeira Grande, dinamizou uma aula prática no espaço de restauração do Clube Naval de Rabo de Peixe, com a presença de representantes de organizações locais, em que os formandos colocaram em prática os conhecimentos adquiridos ao longo da sua formação. Não pude, com desgosto meu,  anuir ao convite para participar no evento… devido à minha hérnia discal, mas contou-me a minha comadre Amelinha que apreciou o serviço, em que os alunos desenvolveram as competências que aprenderam, preparando diferentes cocktails para servir a cada convidado e praticando de seguida o serviço à mesa. Aquela “aula” prática teve por finalidade dar a conhecer o potencial dos alunos que se preparam para serem agora encaminhados para o mundo do trabalho. Daqui mando ao formador Sário Ponte e ao Director da Escola, Gui Martins, um repenicado beijinho pelo êxito da iniciativa, esperando que da próxima eu possa lá estar, para comprovar a excelência da aprendizagem.

Meus queridos! Sempre houve queixas com as demoras dos CTT, mas agora as coisas estão muito mais complicadas. Que o diga o meu vizinho daqui da minha Rua Gonçalo Bezerra, que mandou vir uma encomenda de uma empresa do continente, para oferecer a uma comadre, no Dia das Comadres… A empresa foi pontualíssima, e no dia 19 de Fevereiro entregou a encomenda na estação dos CTT. No dia seguinte o meu vizinho recebe um mail dos CTT Expresso. Isso mesmo, Expresso, a dizer que “a sua encomenda vai ser entregue no dia 4 de Março”. Claro que o meu vizinho ficou menente com o descaramento de virem os CTT dizer que uma encomenda que não pesa mais de dois quilos demora 14 dias para vir da capital do rectângulo para São Miguel. E reclamou, dizendo que era uma vergonha tanta demora. No dia seguinte recebe um mail dos CTT a dizer que tivesse calma porque estão a cumprir os prazos que são de seis a nove dias úteis para entregar uma encomenda. Ou seja, na era das comunicações e das autoestradas aéreas e marítimas, os CTT continuam a andar de carroça e ainda com o beneplácito político e do regulador… Por isso mesmo não há nada a fazer porque quem lhes ditou as regras deixou que a degradação do serviço tivesse o selo da legalidade... Passa fora!

Ricos! Fiquei sem palavras quando li esta semana que lá para os lados do país dos coletes amarelos, o Governo prepara-se para abolir das escolas as palavras pai e mãe e que os piquenos e piquenas vão ter de ser filhos do parente um e parente dois. A minha prima Jardelina já está a ver a guerra que vai dar para saber quem é o parente um e o parente dois… Da guerra dos sexos vamos passar à guerra dos números. Apetece dizer que anda tudo doido, pois que até já estão a tratar de um Cartão de Cidadão ou de Cidadania, porque cidadão é macho e cidadania é fêmea, onde já não vai constar se uma pessoa é homem ou mulher, que é para dar oportunidade a quem quiser mudar de género não ter que se preocupar. E vão esperando que os nomes masculinos e femininos são mesmo para desaparecer e não admira que daqui a dias se ouça chamar “um dois três de Oliveira quatro”, ou sessenta Gomes setenta”. Pode parecer brincadeira, mas é um caso muito sério…

Meus queridos! Contou-me a minha prima Genoveva, que viu na TVI um concurso chamado “First Dates”, ou coisa parecida, que eu não me entendo bem com este nomes estrangeiros, onde uma concorrente disse alto e bom som que os Açores eram um país. E quando o apresentador observou que os Açores são portugueses, ela respondeu impávida e serena que são um país porque para lá ir é preciso tomar o avião… Pois! Coisas de quem estuda muita Geografia! Mas também não admira, porque há dois ou três dias, e pela força do vento que tem feito, na televisão pública do rectângulo, a ilha do Corvo foi desviada do Grupo Ocidental para o Oriental e até ficou “bem riquinha” ali ao lado de Santa Maria! Até tirei uma foto para recordação…

Meus queridos! Nos meus recadinhos da semana passada, quando referi a visita pastoral que o meu querido Bispo Lavrador está a fazer debaixo de chuva e vento a todas as paróquias de Vila Franca, disse que estava muita gente à espera que D. João se pronunciasse sobre a elevação da ermida da Senhora da Paz a Santuário. A minha prima Maria da Vila telefonou-me na Sexta-feira, logo que manhã, a dizer que o Bispo tinha descartado a hipótese, em entrevista à Crença, porque não se queira precipitar. E foi bom, porque assim os devotos da Senhora da Paz já sabem com o que contam e não vem mal ao mundo que se reze numa ermida em vez de ser num santuário. Mas as razões que o meu querido D. João alega não são assim tão convincentes. Primeiro, porque a aspiração não é nova, como ele diz. Já vem de anos e o meu querido D. António deve lembrar-se de que disse com todas as letras que ia fazer a elevação a santuário. E foi mandado o processo para a cúria diocesana e lá encalhou. E depois também não convence o argumento de ser um lugar isolado e sem padre permanente, porque o santuário do Santo Cristo da Caldeira em São Jorge também não está assim num meio muito urbano… Mas como diz a minha prima Maria da Vila, atrás de tempo, tempo vem…

Meus queridos! Naquele tempo dizia-se que “somos aquilo que o povo quer”… Hoje apetece dizer que somos aquilo que as redes sociais querem, ou mesmo, o que a comunicação social quer. E lembrei-me disto por ter lido num jornal cá do burgo… e depois multiplicado na internet… que um jovem trabalhador lá para os lados das Feteiras tinha tentado matar o seu patrão, quando o dito cujo afinal é que salvou a vida do patrão e é que chamou a polícia e ambulância. Ficou para Deus o levar, ele e a família, quando aparece como agressor. É que depois, mesmo com um disfarçado esclarecimento, a primeira notícia é que fica… Mas quando se tem a consciência limpa, a verdade impõe-se…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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