Em 17 de Março deste ano, a Assembleia Nacional Popular da China reelegeu o Presidente Xi Jinping para mais um mandato de 5 anos. A curiosidade do acontecimento está na emenda constitucional que a Assembleia aprovou uma semana antes, segundo a qual deixou de haver limite temporal para os mandatos presidenciais, até então confinados a dois quinquénios, permitindo assim reeleições por tempo ilimitado. O voto unânime dos quase 3000 deputados, 70% dos quais são membros do PCC-Partido Comunista Chinês e 30% não, dá uma ideia do poder reforçado que o Presidente Xi detém e lhe confere uma aura de popularidade, dentro e fora da China. Foi nesta situação privilegiada que chegou a Portugal, onde teve calorosa receção por parte da comunidade chinesa residente. O que não impediu os apoiantes que o vieram saudar de serem mantidos a uma pouco vulgar distância pelas forças de segurança, atrás de barreiras móveis.
Com estas medidas, exageradas ou não, a visita do Presidente Xi e da Primeira-dama Peng Liyuan, acompanhados de uma comitiva de alto nível, teve um significado muito para além das cerimónias protocolares. Numa União Europeia que enfrenta desafios consideráveis, desde a questão dos refugiados às ameaças dos movimentos extremistas que puseram Paris a “arder”, é avisado procurarmos parceiros “fora da caixa”. A China e Angola são bons exemplos, não sendo por acaso que à visita do Presidente João Lourenço, se tenha sucedido dias depois a de Xi Jinping. Ambos países têm fortes investimentos em Portugal, sendo que no caso chinês corresponderam desde 2010 a quase 4% do PIB português. Sendo a maior percentagem europeia relativamente ao produto, será um valor absoluto modesto comparado com o que a China investiu no Reino Unido só em 2016 e 2017. Foram perto de 30 mil milhões de euros, 5 vezes o que investiram em Portugal, o que mostra bem a potencialidade de aumento que temos pela frente.
Nada surpreendente, pois em 2004 o Goldman Sachs demonstrou que em 2050 a China será a primeira economia mundial, com um PIB da ordem dos 43 trilhões de dólares, contra 34 dos Estados Unidos. Confirmando estas previsões, o economista britânico da OCDE Angus Maddison calculou que em 2060, a China produzirá 28% da riqueza global (praticamente o dobro do valor de 2015) a Índia 18%, os EUA 17% e a Europa Ocidental pouco mais de 13%. Esta mudança do panorama internacional reflete-se nos pedidos de patentes chinesas em 2015 (mais de 1,1 milhões) perto do dobro das americanas (0,6 milhões) e 6 vezes o das europeias (0,16 milhões). Os admiráveis progressos chineses na ciência e tenologia, vão do espacial ao mar profundo, duas áreas onde os Açores estão bem posicionados para a cooperação bilateral. Dossiê importante a ser gerido com cuidado, dado o quadro europeu e ocidental onde nos situamos. Como na China de Xi, não há rosas sem espinhos.