8 de dezembro de 2018

A Saúde está doente Urgência do Hospital do Divino E. Santo

 Devo confessar que hesitei bastante abordar o assunto desta crónica pois já várias vezes no passado foi parte do tema principal escolhido para manifestar o meu desencanto alimentado por um silêncio de gente que sofre e não fala certamente devido ao eterno problema bem conhecido de todos que se chama “receio de represálias”.
Felizmente já perdi tal receio, pois estou consciente que após 72 anos de vida que o Bom Deus até agora me concedeu nada mais tenho a perder. Respeito as gentes, e as mesmas que são sérias, estou certo também me respeitam, ponto final. Ocupo parte do meu tempo a defender causas de um pequeno mundo que está à minha volta, muitas vezes “sem voz”, a partilhar a minha opinião sobre esta linda terra dos Ginetes, mas também quando necessário manifestar o tal desencanto que referi nas primeiras linhas desta crónica.
A vida é um “Dom de Deus” e é para ser bem vivida não apenas por grupos de privilegiados que do alto de um pedestal imaginário julgam-se superiores,mas na realidade humanamente falando irão terminar a passagem por este mundo todos da mesma forma. Do Presidente da República ao mendigo que faz da rua sua única morada, enfrentando, direi mesmo que corajosamente intempéries, além das obrigações impostas muitas vezes por opções absurdas dos governos também tem direitos adquiridos ao nascer até ao momento da partida definitiva para um suposto mundo melhor. Esta é a minha convicção alimentada por uma fé que os meus pais me “ajudaram” a cultivar. Tenho os meus defeitos como qualquer ser humano mas também tenho olhos que vêm, um coração que sente e uma cabecinha que pensa. Melhor ainda, “não sou mentiroso”, mas talvez demasiado directo o que pode ser incomodativo para uns poucos que pensam que o mundo lhes pertence. Estou farto de injustiças, de inquéritos que nada solucionam porque na maioria dos casos a “culpa acaba mesmo por morrer solteira”.
Na Quarta-feira, 28 de Novembro, tive que me dirigir com alguma ansiedade ao serviço de Urgência do Hospital do Divino Espírito Santo, pois um dos meus familiares “mais íntimos”, sangue do meu sangue, teve que ser para lá encaminhado por razões que não vou aqui descrever, pois não é o que mais importa. De imediato passou pela “triagem” e colocado em observação no célebre (SO). Até aqui tudo bem.
Todavia, acho bom referir, o contacto com o 112, o suposto serviço de apoio em caso de urgência levou mais de 10 minutos para atender. Normal? Não senhor…Se me dizem que sim respondo que não pode ser normal até que me expliquem a razão de tal comportamento. Infelizmente já foram “algumas vezes” que tive experiências lamentáveis com “a ou as meninas” que lá se encontram no atendimento, não sei se por incompetência ou falta de conhecimento do mapa da Ilha de S. Miguel, pois como muito bem sabemos o mesmo se encontra centralizado na Ilha Terceira.
Porquê quando a maioria da população dos Açores vive em S. Miguel? Também não sei…
Nada tenho contra mas desde que receba uma resposta rápida quando tenho à minha frente alguém que necessita imediatamente de ajuda.
Chegados à Urgência do Hospital do Divino Espírito Santo, se o nervosismo normal em tais ocasiões faz parte do desgaste, horas perdidas sem informação torna tudo ainda mais complicado, pois a falta da mesma com algum aparente desprezo atingiu o ponto alto quando 24 horas depois, tentei um contacto telefónico ao “Serviço de Urgência” e recebi como resposta um barulho seco de um telefone que alguém atendeu e de imediato abateu porque provavelmente já se encontrava saturado ou saturada, pois como não falou não posso garantir se era homem ou mulher. Que me desculpem mas esta não é a forma de trabalhar num hospital. Quem não é capaz de conviver com o stress aliado às normas da boa educação que vá embora pois são às centenas os desempregados que estão à espera de uma oportunidade de trabalho.
Tentei novamente mas de imediato prevenindo para não repetirem o mesmo gesto. Foi a chamada transferida para um enfermeiro que nada sabia além de que se encontravam 2 médicos de serviço mas em local desconhecido, prevenindo de imediato que tinha a certeza que me não dariam qualquer informação através do telefone.
O que se seguiu nem vou descrever pois foi necessária a intervenção de uma terceira pessoa com um vasto currículo no domínio da saúde para que uma solução “de respeito pela pessoa humana” fosse finalmente encontrada.
A minha intenção não é a de enxovalhar quem quer que seja. Sei que temos no “nosso hospital” excelentes profissionais que tudo fazem, e muitas vezes até mais do que lhes compete para o bem-estar do doente como já tive ocasião de observar durante o período de uma greve em que minha mulher esteve hospitalizada, pois o pouco pessoal que assegurava os serviços mínimos foi totalmente exemplar. Todavia certamente existem outros indivíduos, homens ou mulheres que erraram na vocação. Para estes apenas tenho a dizer que se não sentem motivação para um trabalho nobre que é o de dar apoio aos que sofrem, mas também tranquilizar familiares que têm todo o direito à informação, existe uma excelente solução: “que vão embora”. Ninguém procura o hospital para férias mas sim em busca do possível alívio a um estado de saúde que não consegue encontrar em sua casa. 
Algo não está a funcionar correctamente na Urgência do “nosso Hospital”. 
Não se “brinca” com a saúde das pessoas sobretudo no momento em que as mesmas se encontram mais fragilizadas.

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Categorias: Opinião

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